A culpa é sempre da velocidade. Sempre!
A minha posição em relação aos acidentes serem culpa da velocidade nunca mudou. Já a comunicação social parece agora mais moderada nas palavras e não atribui qualquer toque ao excesso de velocidade. Já se fala nas condições meteorológicas, no estado das viaturas e no cansaço dos condutores ou erro humano.

Com o recente acidente em cadeia na A25 a comunicação social indica que as causas do acidente ainda não estão apuradas (tudo aponta para as condições meteorológicas) mas nos comentários dos jornais encontram-se ainda aqueles crentes que acham que a culpa de tudo isto é da velocidade.
Uma senhora queixava-se que era pressiona por outros condutores quando efectuava uma ultrapassagem em auto-estrada a 80km/h e que se fossem todos mais devagar a estrada era mais segura. Então e os limites mínimos de velocidade em cada faixa de uma auto-estrada, ficaram esquecidos?
Então se eu for a 121km/h numa auto-estrada sou um assassino, já se fizer uma ultrapassagem mal calculada a uma velocidade reduzida sou um condutor exemplar?
Sempre que existe um acidente deste género aparecem sempre os ignorantes do costume que apregoam que tudo se resolvia com limites mais apertados de velocidades e radares, muitos radares. Alguns até dizem que se o limite é 120km/h os carros deveriam ser limitados a tal velocidade
Um acidente acontece quando muitas variáveis estão desfavoráveis ao condutor, não se trata apenas de velocidade.
E as autoridades também deixam passar estes comportamentos impunes, as multas são baixas, difíceis de aplicar e fica sempre bem mandar imagens de um Porsche a 200km/h numa auto-estrada vazia, já alguém a circular a 50km/h na faixa do meio de uma auto-estrada é um comportamento cívico e seguro, até vai devagar.

Gente como tu nunca conseguirá perceber que “excesso de velocidade” se refere sempre ao local e às condições de cada estrada.
Se calhar circular a 300 km/h nunca é “excessivo”, até ao momento em que surge um imprevisto e depois a carroça não pára a tempo.
E os “imprevistos” não dependem só de nós porque não andamos sozinhos na estrada. Mas tu és diferente…