Guia para iniciantes do GPL Auto

Comutador GPL TartariniAntes de efectuar a conversão do 406 para GPL Auto procurei muita informação na net e, infelizmente, para aquelas dúvidas mais basicas não encontrei nada e tive que perguntar directamente a alguns utilizadores para esclarecer as minhas dúvidas. Outras, fui esclarecendo conforme ia usando o sistema de GPL.

Infelizmente ninguém se preocupa com estes assuntos, e vemos muitas vezes os novatos do GPL às “escuras”, principalmente na questão do abastecimento.

Ora, após 2 anos e mais de 58.000km percorridos a GPL penso que consegui obter informação suficiente para poder criar uma espécie de “guia” para os iniciantes nestas lides do GPL Auto, embora alguns destes pontos sejam especificos aos kits de injecção sequencial.

 

Kits de conversão disponíveis
Existem 2 tipos de kits disponíveis que se aplicam à maioria dos carros, são os kits aspirados e os kits de injecção sequencial.

Os kits aspirados são os mais baratos mas devem ser usados apenas em carros cuja alimentação ainda seja feita por carburador. A aplicação deste kit num motor de injecção leva normalmente a problemas com misturas demasiado ricas/pobres, rateres na caixa de admissão de ar, perda de potência e aumento de consumo. Grande parte dos problemas com GPL são derivados da aplicação de kits aspirados em carros de injecção.

Os kits de injecção sequencial são os mais aconselhados para as viaturas mais recentes com sistema de injecção multiponto, embora sejam aplicáveis também em motores de injecção monoponto.

Existem ainda os kits de injecção liquida, mais comuns em viaturas importadas, que permitem uma redução do consumo e aumento de potência. Existem também kits que permitem a conversão de viaturas de injecção directa.

 

Instaladores e marcas
Um instalador perto da residência ou local de trabalho é sempre um ponto forte numa conversão de GPL, pois após a instalação podem ser necessário efectuar algumas afinações do sistema para que o funcionamento a GPL seja igual ao funcionamento a gasolina.

Fazer vários quilómetros para instalar um kit de uma marca “especial” pode ser um erro se não existir suporte por perto ou se o instalador não se sentir à vontade para trabalhar com o kit indicado.

 

Potência e consumos
Muito se fala em perda de potência e aumento de consumos nos carros a GPL, mas é preciso adicionar uma grande pitada de sal neste assunto, principalmente quando se falam em aumentos de consumos na ordem dos 30%. Este aumento de consumo é uma realidade nos kits aspirados em carros de injecção ou em kits mais antigos e mal afinados. Nas instalações actuais o aumento de consumo em relação ao às médias a gasolina ronda 1 a 1.5 litros a mais por cada 100km.

Em termos de potência, com os kits de injecção sequencial, existe uma perda de potência em altas que ronda os 5cv. Em baixas a potência costuma manter-se muito próxima da potência actual e existe um ligeiro ganho em binário.

Se estivermos a falar de um kit de injecção liquida (a Setembro de 2009 ainda não disponivel em Portugal) temos uma redução de consumo em relação à média a gasolina e um ligeiro aumento de potência e binário.

 

Computador de bordo
Uma dúvida frequente é se o computador de bordo vai continuar a funcionar. Regra geral sim mas com uma margem de erro nos consumos igual à margem de aumento do consumo médio da viatura. Apenas a autonomia deixará de funcionar, pois estamos a circular a GPL e a fazer quilómetros sem que o nível do depósito da gasolina se altere.

 

Pontos a verificar antes da instalação
Para evitar dissabores com a instalação de GPL é bom verificar se o motor se encontra em condições. O GPL tem uma queima mais limpa e evita a acumulação de carvão no motor. Também efectua uma descarbonização o que pode aumentar o consumo de óleo se o motor tiver bastante carvão e este esteja a tapar algumas fugas. A queima do GPL também puxa mais pelo sistema de ignição.

É aconselhável, antes de avançar com a instalação, efectuar uma descarbonização seguida de um teste de compressão dos cilindros, assim como uma verificação do sistema de ignição e refrigeração.

 

A instalação
A instalação leva normalmente 2 dias a efectuar, mais a inspecção tipo B. A viatura deve estar em condições, pois caso chumbe por um motivo alheio à instalação é o cliente que irá acartar com as despesas de uma nova inspecção B que custa cerca de 96 Euros. O valor da instalação deve incluir já as despesas de legalização (inspecção incluida) e depósito de GPL cheio.

 

Leds indicadores
Para sabermos a quantidade de GPL que temos no depósito podemos verificar os leds no comutador (imagem em cima). Normalmente são 4 leds verdes que indicam o nível e um led vermelho para a reserva. No entanto estes leds nunca são de confiar e podem apagar-se vários leds rapidamente e o último led permitir fazer 300km ou vice-versa. O ideal é nos primeiros tempos atestar, colocar o contador parcial a 0 e tentar perceber qual o comportamento dos leds em relação aos quilómetros percorridos.

 

Passagem entre gás e gasolina
Sempre que damos à chave a centralina do GPL verifica a temperatura do liquido de refrigeração, e só quando este estiver a uma temperatura ideal (40º ou mais) e tiverem passado alguns segundos (normalmente 30) de termos ligado o carro é que a passagem para GPL é efectuada.

Esta passagem é totalmente automática, feita durante aceleração, e não é necessário carregar em nenhum botão para passar para GPL. Existe no entanto um botão que permite que, manualmente, passemos de GPL para gasolina e vice-versa.

Se o GPL acabar as luzes do comutador irão começar a piscar e é emitido um aviso sonoro e o carro irá continuar a funcionar normalmente a gasolina.

 

Abastecimento
O abastecimento é mais complicado de explicar por texto, até porque existem vários tipos de pistolas de GPL diferentes. Em comum existe um gatilho que prende a pistola e um botão onde se encontra uma mola que prende o gatilho.

Para iniciar o abastecimento basta enroscar o adaptador de enchimento na pequena rosca que normalmente está ao lado do bocal de abastecimento da gasolina, encostar a pistola ao adaptador e puxar o gatilho até este prender. Com a pistola bem presa basta ficar sempre a pressionar o botão de enchimento na bomba de GPL.

Após terminar o abastecimento, caso ateste irá ouvir um barulho caracteristico da válvula de segurança e deverá largar o botão, deve segurar na pistola e respectivo gatilho, carregar no botão para que esta desprenda e largar o gatilho suavemente.

Pode ainda visualizar o video neste post para ter uma ideia de como funcionam as pistolas de GPL convecionais e as novas Euroconnector.

Diferenças entre pintura metalizada e não-metalizada

É comum, muito por culpa dos vendedores de automóveis, se dizer ainda hoje que a pintura metalizada é a pintura que tem brilho e reflexo, pois como o nome indica deve brilhar como o metal. E também que a pintura metalizada dura mais e resiste mais aos riscos. Não vão nessa cantiga.

As pinturas metalizadas têm de diferente das outras os chamados flakes. São pigmentos brilhantes (as pintinhas douradas que aparecem na foto em baixo) que são misturados na tinta que fazem, resumidamente, o efeito metalizado.

Pintura Metalizada

De resto são em tudo iguais às restantes pinturas, levam uma base de primário, uma camada de tinta e uma camada de verniz, este último sim grande responsável pelo brilho, reflexo e durabilidade da pintura.

As diferenças de preços entre as cores metalizadas ou sólidas já passam mais pelo marketing e pelas opções do importador de cada marca, e regra geral não correspondem a uma qualidade superior mas sim a um tipo de pintura diferente.

Portanto quando forem comprar carro não pensem que se não comprarem uma pintura metalizada vão ter um carro sem brilho, só se for um carro branco simples sem verniz.

Coisas que me chateiam: Jornalistas e os carros eléctricos

Citroën Saxo eléctricoFinalmente, o carro eléctrico está entre nós, ergam os vossos braços até aos céus e acolham esta inovação do… séc XIX?

Será que os actuais jornalistas das publicações automóvel não sabem um pouco sobre a história daquilo que estão a escrever? Não perdem 5 minutos a fazer uma pesquisa ou será que não têm internet no escritório?

Já aqui escrevi várias vezes que os problemas dos carros eléctricos continuam na mesma após 100 anos, e que o carro eléctrico não é uma novidade embora a Mitsubishi o faça parecer. Nesses artigos já falei sobre carros eléctricos velhos como tudo, e se procurarem no Google por carro eléctrico até vêm cá parar.

O pior mesmo é que algumas destas publicações até apresentaram alguns carros eléctricos, e nem foi em 1830, lembro-me de um Guia do Automóvel de 1998 que apresentava o Saxo eléctrico que até tinha travagem regenerativa, outra inovação do séc XIX. Existia também o Twingo, 106, AX, Seicento… Até os CTT tinham umas Berlingo eléctricas. E mais recentemente temos o Mega ou o Reva que são cá comercializados.

Todo este hype em torno dos carros eléctricos está a tornar-se ridiculo, e a desinformação é mais que muita. Curioso ainda é que todos querem um carro eléctrico e dizem que 60km são mais que suficientes e 8 horas para carregar é razoavel, mas quando sairam vários carros eléctricos à 12 anos atrás que até tinham mais autonomia ninguém lhes pegou. E não me venham dizer que o problema era o preço, porque carros eléctricos que estão para sair custam bem mais e não compensam ainda em termos monetários, só em termos ambientais.

Portanto os carros eléctricos não são uma grande novidade, e o mesmo se aplica aos híbridos.

Os 5 carros antigos que ainda duram em Portugal

Existem carros antigos que duram e duram nas nossas estradas e acabam por se tornar parte da história automóvel portuguesa. Carros onde andamos quando eramos pequenos, ou nem eramos nascidos e eles já circulavam por aí, outros que foram o primeiro carro de muito boa gente.

Decidi então compilar uma lista dos 5 carros antigos mais marcantes, na minha opinião, que continuam a circular nas nossas estradas com alguma frequência. Alguns destes carros antigos até já antigiram o estado de “culto” à sua volta.

Carros antigos: MiniMini
Conhecido por alguns como Mini Morris, por outros como apenas Mini, este carro desenhado por Alec Issigonis ganhou um estatuto de culto por todo o mundo, e Portugal não foi excepção. Servia para levar toda a familia a passear e apesar dos seus atributos simples era um carro admirado e respeitado por todos. É comum encontrar ainda Mini a circular, grande parte em óptimo estado de conservação. Chegou a ser produzido em Portugal, tendo alguns exemplares sido vendidos novos até 1998.

Carros antigos: Volkswagen CarochaVolkswagen “Carocha”
De nome original Type 1, foi baptizado em Portugal de Carocha e tem uma grande legião de fãs.

Existem até vários entusiastas que se dedicam a transformar os seus Carocha, alguns com alterações da época, outros em criações bizarras como no carro dos Flinstones. O seu motor arrefecido a ar era robusto e tinha uma fiabilidade superior aos dos seus concorrentes da altura.

Carros antigos: Citroën 2CVCitroën 2CV
O carro do Duarte & C.a. Não tinha apenas 2cv, embora o nome assim leve a pensar, tratava-se do seu escalão fiscal em França. Na realidade o primeiro motor do 2CV tinha 9cv, tendo os motores seguintes uma potência superior, mudando o seu escalão para 3CV, no entanto o seu nome comercial de 2CV manteve-se. Tal como o Mini, o 2CV também foi produzido em Portugal na fábrica da Citroën em Mangualde de onde rolou o último exemplar em 1990.

Carros antigos: Renault 4LRenault 4L
Este era considerado por muitos como o jipe dos pobres, e foi um carro marcante em Portugal. Com um espaço interior considerável para o seu tamanho, a 4L foi um dos carros pioneiros no tipo de carroçaria hatchback. Tal como o Mini e o 2CV, a 4L também teve produção em Portugal. Chegou a ser o carro de eleição dos antigos TLP (PT) que agora usam Kangoos, para muitos o verdadeiro sucessor da 4L. Infelizmente já se torna raro ver exemplares destes em bom estado a circular.

Carros antigos: Mercedes 190DMercedes 190D
Não é um carro muito antigo, isto se tivermos em conta os 4 carros anteriores, mas é um carro mítico em Portugal e o carro de eleição para qualquer taxista por ter uma manutenção simples e continuarem a serem produzidas peças de substituição para este modelo. Ganhou fama de ser um carro para toda a vida, que faz 1 milhão de quilómetros sem problemas (embora exista grande exagero nesta expressão) e graças ao seu baixo valor comercial na Alemanha acabou por ser um dos carros preferidos para ser importado pelos portugueses.

Se souberem de mais carros antigos que continuam a circular em Portugal e que de alguma forma marcaram uma geração, partilhem. Podem também partilhar as vossas histórias e experiências com alguns destes carros antigos.

Cash For Clunkers, a nova asneira dos USA

Estupidez americanaVamos ajudar o ambiente e a economia? Então entreguem os vossos carros velhos ou que consumam muito que nós fornecemos um valor para ajudar a comprar um carro novo e mais económico. Ah, no processo vamos ter que acelerar até o motor partir para que o carro depois seja destruido numa sucateira.

Basicamente é este o programa Cash for Clunkers. Se por cá um carro é entregue e desmantelado, permitindo a sua reciclagem de forma eficiente (cerca de 80%) e colocar no mercado das sucatas algumas peças de substituição, nos USA têm que fazer as coisas à grande, à maneira deles.

Eu não sou anti-America, mas o mercado automóvel norte-americano é muito atrasado, e este programa de abate vem reforçar essa ideia. Sabiam vocês que no programa de incentivo ao abate perdem tempo a colocar uma mistura de silica ou ácido e água em vez de óleo e ficam a acelerar durante alguns minutos até o motor gripar? Pelo caminho gastam recursos, queimam combustível e alguns dos carros até começam a arder no processo, e pela quantidade de vídeos no Youtube que encontrei está visto que é comum alguns arderem.

A estupidez americana voltou a surpreender, gostaria de saber o que vai na cabeça das abéculas que acharam que seria uma boa ideia destruir os motores desta maneira sem um plano de reciclagem e recuperação de materiais eficaz.

E após 55.000km a GPL, tudo na mesma…

Alfa Romeo com sistema BRCJá percorri mais de 55.000km a GPL (57 mil e poucos km) e desde o meu post aqui sobre os prós e contras do GPL, tinha eu rodado apenas 17.000km, pouco mudou.

Algumas bombas foram substituidas e são agora mais rápidas a encher, voltei a conduzir mais para os consumos (cheguei a fazer €5.25 a cada 100km, fantástico) e o Tartarini tem-se portado bem, por isso continuo satisfeito com a conversão.

Só é pena o preço do GPL ter aumentado novamente, mas como desde o início do ano este é o segundo aumento nem me queixo muito, mas soube bem abastecer durante uns largos meses a €0.494.

Os carros tunados continuam velozes e furiosos

Esta semana decidi ver o Fast & Furious (Velocidade Furiosa 4 ou Velozes e Furiosos 4) pois, embora seja já o 4º filme, como tinha o elenco original de volta pensei que o filme fosse interessante.

Começa o filme com muito CGI e treta a mais na cena do assalto ao camião, mas até percebi que servia para criar uma história semelhante ao do The Fast and The Furious, mas foi mesmo treta a mais.

Passa a introdução e o que vejo? Um fantástico RS200 e um AE86. Claro que depois disto fiquei com as expectativas elevadas e até pensei cá para mim que a malta dos carros tunados estava tramada e iamos ter só máquinas.

Ford RS200 e Toyota Corolla AE86 do Fast & Furious 4

Passada meia hora de encher chouriços a repetir a história do primeiro filme, parecia uma novela a recapitular os episódios anteriores, lá vemos um Skyline e o SS para entrar numa corrida. A parte chata é que só tivemos direito a 1 minuto de filme enquanto preparavam os carros, que até é das partes mais interessantes do filme, e dá ideia que foram preparados num dia só.

Nissan Skyline do Fast & Furious 4

Claro que quando a corrida começou a minha pequenissima réstia de esperança apagou-se, e fiquei a ver um sistema de GPS super avançado e todo tunado que até mostra os carros a fazer drift. Mas, com tanto tuning que fizeram ao GPS ele era bem pior que o meu TomTom a recalcular rotas.

O resto do filme foi mesmo a despachar, uns tuneis muito manhosos para passar a fronteira Mexico / EUA, umas trocas de tiros, mais uma perseguição da treta com o mau da fita e depois chegamos ao momento do “…e viveram felizes para sempre”.

O elenco ser aquele ou outro era igual, só contou mesmo por serem caras conhecidas, mas a história foi muito fraca mesmo para um filme destes e o conteúdo interessante ficou de fora. Estou claro a falar das corridas, dos carros tunados, as preparações… Foi um filme com muito pouca acção e não trouxe nada de novo no que podia ter sido 1h40 bem passadas.

Não me levem a mal os que gostaram do filme, eu até gostei dos anteriores (menos do Tokyo Drift) e até gosto de filmes sem história e muita acção, só para entretenimento. Na minha opinião pessoal foi um mais ou menos velozes (que a gasolina está cara) e furiosos não, de mau humor vá.

Copyright © 2005 - 2012 Gosto mais de Carros do que Chocolates. Alguns direitos reservados.
gostomaisdecarrosdoquechocolates.com - As opiniões, críticas e pensamentos de um "petrolhead"
Ao navegar neste site está a concordar com os termos legais e de privacidade.