Carros silenciosos precisam de fazer barulho
A cada semestre lá sai a mesma notícia do costume que os carros eléctricos ou híbridos são muito silenciosos, por isso são perigosos. Juntamente com a notícia aparecem sempre sistemas altamente elaborados como o que foi apresentado pela Lotus em 2008 onde era colocada uma coluna de 300w a replicar o barulho de um motor.
Um dos problemas actuais dos automóveis é a sua poluição sonora, porque vamos voltar para o barulho de um motor de combustão?
E que tal usar, sei lá, aquela coisa que vem em todos os carros que serve para alertar outros condutores e peões. A buzina, aquele barulho que se ouve em engarrafamentos porque o semáforo fechou para os peões e o carro da frente não arrancou.
Eu até percebo que para os invisuais seja complicado atravessar a estrada numa passadeira sem semáforos, mas se vamos colocar os carros a fazer ruído que seja algo suave como no Futurama e que o ruído apenas seja audível quando o carro está a circular.
Não faz sentido resolver um problema criando outro, como a solução proposta pela Lotus.
Ecodriving: Passagem alternada
O combustível está novamente em alta, portanto está na altura de relembrar algumas noções de ecodriving. Principalmente no mês de Dezembro, que com dinheiro na conta toda a gente leva o carro para o trabalho e o trânsito aumenta consideravelmente.
O conceito já foi aplicado na saída das portagens da ponte 25 de Abril (ou Salazar, como preferirem) com resultados positivos, e nos cruzamentos onde os condutores aplicam esta regra quando existe trânsito compacto o tempo de espera em fila é menor.
Infelizmente o “ora passas tu, ora passo eu” nem sempre é praticado por alguns condutores. Estes pensam que vão demorar mais se deixarem algum carro se colocar à sua frente, acabando por fazer mais trânsito ao bloquear a passagem de outro condutor e ficando eles próprios prejudicados porque vão gastar mais combustível e tempo ao acelerar e travar bruscamente para impedir a passagem de outros veículos.
Esta é uma forma de praticar ecodriving que não só nos reduz a nós os consumos devido ao menor tempo em espera como aos restantes condutores na mesma fila de trânsito.
Opel abre as portas ao Meriva de uma forma original
A foto já tem mais de 1 mês mas como tenho andado ocupado com o Mais Gasolina Mobile para Android e outros projectos só hoje tive tempo para escrever sobre ela.
A Opel teve uma ideia muito interessante para a publicidade ao Meriva com as FlexDoors. Curioso como todas as marcas fogem do termo pelo qual são conhecidas, portas suicidas.

Vi esta publicidade na Gare do Oriente e actualmente ainda se encontra ao lado das bombas da Galp do Aeroporto. Já o tinha dito e volto a repetir, a crise que afectou a industria automóvel teve um efeito positivo nas campanhas de marketing.
Um carro antigo não compensa arranjar?
É comum ouvir-se a conversa do “não compensa arranjar” quando um carro chega a um período de manutenção mais dispendioso. Ou porque o valor do arranjo é o valor comercial do carro ou porque é um carro com uma idade avançada e a ideia que fica é que vai começar a dar problemas.
Esta ideia pré-concebida sempre me fez confusão. É claro que se apenas fazemos manutenção correctiva e não preventiva (feita no período de garantia), muitas das peças de desgaste vão chegar ao fim de vida e deixam de funcionar. Podemos considerar isto uma avaria ou apenas falta de manutenção?
Para mim avaria é uma peça ter uma vida útil de 60.000km e antes deste período avariar. Se uma peça faz o dobro da quilometragem e deixar de funcionar não é uma avaria

Se falarmos num carro de 1990 por exemplo, com 20 anos, que precisa de uma revisão de €500, certamente alguém vai dizer que é asneira investir metade do valor comercial do carro numa manutenção. Mas será que é?
Ninguém vai comprar um carro com 20 anos e uma revisão cara por fazer, portanto vendemos o carro a uma sucata por €50? Ficamos com €550 para comprar um carro usado, e com este valor não vamos comprar algo em bom estado, certamente. Sabemos com o que contar com o carro actual, não sabemos o estado de um carro usado.
Certamente a ideia é trocar por um carro novo, mas vamos comprar um Suzuki Alto ou um Nissan Pixo para substituir provavelmente um carro familiar? E um carro destes tem um valor a rondar os €9000 e os valores da revisão durante o período de garantia não são acessíveis.
Portanto, se uma reparação de €500 num carro em bom estado não compensa, o que compensa afinal? Comprar um usado em mau estado por €550 a precisar de uma revisão de valor igual ou superior ao carro que tínhamos ou gastar €9000 num carro novo que no período de garantia pode ter uma manutenção mais cara?
Postos de abastecimento Galp Base
Acabou a silly season. Volta tudo das férias, lembram-se que precisam de pagar os livros dos miúdos, lembram-se de pagar o empréstimo que fizeram para ir até ao Brasil, e lá se lembram que os combustíveis estão caros!
Então voltamos à guerra dos combustíveis, com a notícia que a Galp abriu um posto low-cost, como os que já possui do Carrefour / Continente, com o nome Galp Base em Setúbal.

Esta é a forma da Galp combater os hipermercados, especialmente na zona de Setúbal onde a concorrência é grande e não existe nenhum posto do Carrefour / Continente.
Mas atenção, esta não é uma área de serviço convencional e os combustíveis lá comercializados são os mesmos que são vendidos para os postos dos hipermercados. Se queremos combustível com aditivos como o Hi-Energy ou o G-Force teremos que optar por uma área de serviço. E digo área de serviço porque os postos Galp Base não possuem ar, água ou loja de conveniência. Funcionam apenas com um funcionário, tendo os mesmos custos de operação que uma bomba de hipermercado. E o cartão de pontos também não é aceite.
Existe no entanto quem se queixe, mas a Galp está a mostrar que consegue vender combustível barato. Tem no entanto a mesma qualidade dos combustíveis dos hipermercados (sem aditivos adicionais) e apenas vende combustível, não existem outros serviços no posto.
E existe mercado para áreas de serviço e bombas low-cost. Do outro lado da avenida existe uma área de serviço da Galp o movimento era igual ao do posto Galp Base.
Os carros a GPL não explodem
Ainda sobre o acidente da A25, o Jornal de Notícias fez capa com o título “Inferno na Estrada” e o subtítulo “Duas das vítimas carbonizadas em carro movido a GPL”. Muitos outros meios de comunicação social também fazem questão de frisar que um carro a GPL esteve envolvido no acidente e foi carbonizado.
Já anda tudo a dizer novamente que os carros a GPL explodem e aí jesus se passam por uma lomba mais depressa que vai Portugal pelos ares!
Então e o pesado com produtos inflamáveis? E o relato de um dos camionistas? Passo a transcrever, na notícia do Público: “Vinha a 60 ou 70 quilómetros por hora, mas já não deu para fazer nada. E quando bati, o camião começou a arder”
Então ardem tantas viaturas, incluindo pesados com produtos inflamáveis e a culpa é da viatura a GPL que não explodiu, apenas ardeu como os restantes a gasolina e gasóleo?
Existem vários testes a carros a GPL, alguns efectuados pelos fabricantes, outros por organismos independentes como a MIRA ou a ADAC. Deixo aqui aos interessados um teste da ADAC sobre um carro a GPL num crash-test e num incêndio.
Num país onde é prática comum em casas antigas colocar uma botija de gás sem qualquer válvula de segurança ao lado de um fogão, parece-me estranho toda esta preocupação com os explosivos carros a gás que afinal, como demonstrou a ADAC no vídeo acima assim como outras entidades, não explodem.
Um carro arder pode acontecer a qualquer um e normalmente o culpado é o circuito eléctrico porque mesmo com o carro desligado está sempre a trabalhar e tem sempre energia. Numa colisão temos não só o circuito eléctrico como os derrames de combustível (gasolina e gasóleo).
Gostava de ver uma resposta por parte da APETRO, da ANIC-GPL ou do ACP aos órgãos de comunicação social sobre este tema, é que já cansa tanta ignorância onde um incêndio de um automóvel é uma coisa normal, mas se for um carro a GPL já é uma catástrofe!
A culpa é sempre da velocidade. Sempre!
A minha posição em relação aos acidentes serem culpa da velocidade nunca mudou. Já a comunicação social parece agora mais moderada nas palavras e não atribui qualquer toque ao excesso de velocidade. Já se fala nas condições meteorológicas, no estado das viaturas e no cansaço dos condutores ou erro humano.

Com o recente acidente em cadeia na A25 a comunicação social indica que as causas do acidente ainda não estão apuradas (tudo aponta para as condições meteorológicas) mas nos comentários dos jornais encontram-se ainda aqueles crentes que acham que a culpa de tudo isto é da velocidade.
Uma senhora queixava-se que era pressiona por outros condutores quando efectuava uma ultrapassagem em auto-estrada a 80km/h e que se fossem todos mais devagar a estrada era mais segura. Então e os limites mínimos de velocidade em cada faixa de uma auto-estrada, ficaram esquecidos?
Então se eu for a 121km/h numa auto-estrada sou um assassino, já se fizer uma ultrapassagem mal calculada a uma velocidade reduzida sou um condutor exemplar?
Sempre que existe um acidente deste género aparecem sempre os ignorantes do costume que apregoam que tudo se resolvia com limites mais apertados de velocidades e radares, muitos radares. Alguns até dizem que se o limite é 120km/h os carros deveriam ser limitados a tal velocidade
Um acidente acontece quando muitas variáveis estão desfavoráveis ao condutor, não se trata apenas de velocidade.
E as autoridades também deixam passar estes comportamentos impunes, as multas são baixas, difíceis de aplicar e fica sempre bem mandar imagens de um Porsche a 200km/h numa auto-estrada vazia, já alguém a circular a 50km/h na faixa do meio de uma auto-estrada é um comportamento cívico e seguro, até vai devagar.
