Coisas que me chateiam: Luz do carro fundida ou apagada
Recentemente estive algum tempo a observar os carros que passavam por mim sem luzes acesas, já durante a noite. Em pouco mais de 1 hora passaram por mim 10 ou 11 carros com as luzes apagadas, e tinham em comum o tipo de condutor, ou eram mulheres ou idosos.
Pensei que se calhar as mulheres e os idosos tinham uma percepção inferior da luz emitida pelo seu carro, mas passaram também vários carros com luzes fundidas (médios) e aqui não existiam “grupos” específicos.
É certo que andar com as luzes do carro apagadas é uma falha grave, mas circular com as luzes do carro fundidas também não é desculpável. Eu pelo menos se tiver um médio fundido certamente que dou por isso enquanto estou a conduzir, e não sou nenhum sobre-dotado, penso que qualquer condutor atento conseguirá certamente verificar que está a circular com um médio fundido no seu carro.
É algo que me chateia bastante, e já apanhei alguns sustos a conduzir porque alguém se lembrou de circular sem luzes ou com um médio e mínimo fundidos do mesmo lado. É que a luz de um carro ajuda a ver mas também a ser visto.
E posto isto, cada vez mais acho que as DRL deviam ser adoptadas a todas as viaturas. E já agora equipar os carros com um aviso sonoro irritante, tal como nos cintos, quando uma luz está fundida. Alguns já trazem esta maravilha de série.
Imposto Único de Circulação e a ausência de multas
Andam os fóruns de automóveis em reboliço porque alguém se lembrou de fazer uma notícia de encher chouriços. Aparentemente descobriram que tanto a GNR como a PSP não podem multar por ausência de pagamento do Imposto Único de Circulação, ou IUC.
Isto é de tal forma uma descoberta maravilha que até foi notícia na TSF e no i Online.
É claro que a Polícia não vai multar ninguém por não ter pago o Imposto Único de Circulação. Qual será a próxima notícia, que as Finanças estão impedidas de multar os condutores que circulam em excesso de velocidade?
O pagamento (ou não) do IUC passou a ser competência das Finanças, e espantem-se, têm um controlo muito maior sobre quem paga ou não este imposto porque está tudo informatizado. Aliás, a fuga ao pagamento do antigo selo era de tal forma descarada que se optou por processar tudo electronicamente usando a máquina fiscal das Finanças.
Portanto antes de começarem a bater palmas e a deixar de pagar o Imposto Único de Circulação porque a Polícia não fiscaliza esta situação, lembrem-se que o não pagamento do IUC pode levar ao congelamento da devolução do IRS, assim como possíveis sanções ou penhoras fiscais.
Um carro sujo gasta mais que um carro limpo
O episódio desta semana do Mythbusters, o 14º da 7ª temporada, voltou a testar mais um mito do consumo do combustível, com um resultado extremamente interessante e peculiar. Se querem ver o episódio e ser surpreendidos tal como eu fui então parem de ler por aqui.
O mito diz que um carro sujo ia gastar menos combustível que um carro lavado porque iria criar um efeito semelhante a uma bola de golfe.
Ora, claro que um carro sujo gasta sempre mais que um carro limpo, isso todos já nós sabemos, e o próprio teste o comprova. O carro lavado fez 26.4mpg e o carro sujo fez 24mpg.

Mas o mito era sobre o efeito semelhante às bolas de golfe, com todos aqueles buracos que reduzem o atrito e permitem a bola percorrer uma distancia superior com uma tacada. Fizeram alguns testes em pequena escala e verificaram que existia uma ligeira melhoria na aerodinâmica do carro com os buracos das bolas de golfe. E claro que ao bom estilo do Mythbusters, aplicaram aquele efeito a um carro real.
Para o conseguir tiveram que cobrir todo o carro com argila/barro e com a superfície lisa fizeram um novo teste. Os resultados foram iguais, 26mpg. Depois aplicaram os buracos iguais às bolas de golfe, colocaram os restos de argila/barro dentro do carro para manter o peso igual e fizeram um novo teste.
Estão bem sentados? O resultado foi 29.6mpg!

É claro que ninguém vai querer um carro com a textura de uma bola de golfe, mas é interessante ver o esforço que se tem feito para reduzir o coeficiente aerodinâmico dos carros actuais, e basta uma alteração na textura de um carro para obter ganhos de 11% no consumo de combustível.
Ando mal habituado com o meu carro
Quando comprei o meu actual carro fartei-me de gastar gasolina a fazer percursos que fazia com o meu carro anterior e a ver as diferenças no seu comportamento, velocidade e conforto, saindo quase sempre agradavelmente surpreendido e satisfeito.
O tempo vai passando, vamos ficando habituados ao nosso carro e apesar de em algumas viagens ficar com um sorriso de orelha a orelha, aquele sentimento de descoberta e novidade desvaneceu. Não foi porque o carro perdeu qualidades, bem pelo contrário, eu é que fiquei mal habituado!
Recentemente tenho andando em mais carros sem ser o meu, seja a pendura ou a conduzir, e em algumas curvas até me assusto pois parece que o carro se vai virar a qualquer momento. Claro que quando voltei a pegar no 406 até me passei, fazer curvas com o carro super estável, acelerações acima da média, um conforto espectacular e o que mais notei… o silêncio! Estou tão habituado ao meu carro insonorizado que me esqueci o quão barulhentos podem ser os outros carros.
É o típico só damos valor às coisas quando as perdemos. Aconselho-vos a dar uma voltinha noutro carro diferente durante um dia e depois voltar para as vossas máquinas, vão ficar também vocês com um sorriso de orelha a orelha.
Afinal já pode chover em Portugal
Agora que a chuva veio em força pensei para mim que ia começar a ver os típicos acidentes de quando caem as primeiras chuvas. Os toques, os carros virados, a malta que abraça os rails nas curvas, tal como relatei à 2 anos.
Em vez disso deparo-me com vários condutores a respeitar mais ou menos as distâncias de segurança, a circular a uma velocidade moderada e a praticar uma condução defensiva.
Ou tive sorte e apanhei os condutores conscientes todos na mesma estrada e ao mesmo tempo ou então já se começa a conduzir melhor em Portugal.
Coisas que me chateiam: As “discotecas” na lavagem auto
Para mim lavar o carro pode ser uma actividade relaxante e um escape do stress do dia-a-dia. Se tiver para aí virado sou bem capaz de perder 2 ou 3 horas numa lavagem auto de volta do carro com atenção a todos os detalhes, e no final acabo o trabalho satisfeito.
Infelizmente isto nem sempre é possível, por vezes aparecem alguns mentecaptos que decidem que o que faltava naquela calmaria da lavagem auto era um kizomba bem alto com o gain do subwoofer comprado na Worten no máximo. Não tirem já conclusões precipitadas, até podia ser a O Fortuna que não ia achar piada na mesma, mas para esta as colunas da Worten já não serviam não é?
Depois existem aqueles que estão num nível mentecapto bem superior que deixam o som a tocar bem alto, fecham o carro todo e vão lavar o carro. Ora, será que eles não percebem que com o barulho do jacto de água e das máquinas à volta não vão ouvir porra nenhuma e apenas estão a fazer poluição sonora?
Quando esta malta perceber a diferença entre música e ruído e aprender o que é o respeito pelo próximo as lavagem auto vão ser um local muito melhor para se frequentar. Até lá resta-me sonhar com uma garagem onde possa lavar o carro.
Os transportes públicos e o dia sem carros
Durante anos fui utilizador dos transportes públicos. Tive sempre que organizar a minha vida aos horários destes, andar aos encontrões, empurrar e ser empurrado e andar em pé estilo lata de sardinhas, isto quando não ficava em terra porque simplesmente não cabia mais ninguém. E aqui nunca se tinha falado sequer num dia sem carros.
Existe um grupo que defende a pés juntos (mesmo para partir as canelas) que os carros nas cidades são uma obra do demónio e quem tem o descaramento de levar o carro para a cidade deve levar com uma tarte de natas na cara. Ora, eu concordo que os carros na cidade são uma fonte de ruído e poluição, mas infelizmente são um mal necessário e não existe uma alternativa viável para todos.
Andar de bicicleta é para esquecer e é uma ideia que tem de ser defendida por quem trabalha de t-shirt e calções ou toma banho sempre que chega ao trabalho. Esqueçam lá a Holanda, quero-os ver a fazer Lisboa, Porto ou Coimbra de bicicleta e a chegarem apresentáveis ao trabalho sem estarem a transpirar que nem uns cavalos.
Então sobra outra alternativa, os transportes públicos. Mas não existem em todo o lado, continuam alguns a ser barulhentos e poluentes, têm horários totalmente desenquadrados das necessidades da população, não têm capacidade para todos os utentes em hora de ponta, não são confortáveis e com as recentes ondas de assaltos são tudo menos seguros.
Sem falar que chega a ser mais barato levar o carro e que, em alguns percursos, de automóvel se poupam cerca de 40 min no trajecto. Outros nem acesso a transportes têm, mas continuam a necessitar de se deslocar para trabalhar nas cidades.
Se calhar, antes de começar com um dia sem carros deveriamos começar com um dia do transporte público, não para promover a sua utilização mas o melhoramento das suas infraestruturas. Quando tivermos um sistema de transportes públicos adequado ao número de utentes actuais e com capacidade de aumento, com horários devidamente espaçados e com condições mínimas para circular podemos então em pensar em começar a converter os actuais utilizadores do seu carro para ir trabalhar para a utilização dos transportes públicos.
É que actualmente cada vez mais vejo o contrário, pessoas a optarem por carros económicos e pequenos para pouparem dinheiro na sua deslocação para o emprego (em vez do passe social) e de uma forma mais rápida e cómoda.
