A visualizar apenas posts com a tag carros eléctricos

Coisas que me chateiam: Jornalistas e os carros eléctricos

Citroën Saxo eléctricoFinalmente, o carro eléctrico está entre nós, ergam os vossos braços até aos céus e acolham esta inovação do… séc XIX?

Será que os actuais jornalistas das publicações automóvel não sabem um pouco sobre a história daquilo que estão a escrever? Não perdem 5 minutos a fazer uma pesquisa ou será que não têm internet no escritório?

Já aqui escrevi várias vezes que os problemas dos carros eléctricos continuam na mesma após 100 anos, e que o carro eléctrico não é uma novidade embora a Mitsubishi o faça parecer. Nesses artigos já falei sobre carros eléctricos velhos como tudo, e se procurarem no Google por carro eléctrico até vêm cá parar.

O pior mesmo é que algumas destas publicações até apresentaram alguns carros eléctricos, e nem foi em 1830, lembro-me de um Guia do Automóvel de 1998 que apresentava o Saxo eléctrico que até tinha travagem regenerativa, outra inovação do séc XIX. Existia também o Twingo, 106, AX, Seicento… Até os CTT tinham umas Berlingo eléctricas. E mais recentemente temos o Mega ou o Reva que são cá comercializados.

Todo este hype em torno dos carros eléctricos está a tornar-se ridiculo, e a desinformação é mais que muita. Curioso ainda é que todos querem um carro eléctrico e dizem que 60km são mais que suficientes e 8 horas para carregar é razoavel, mas quando sairam vários carros eléctricos à 12 anos atrás que até tinham mais autonomia ninguém lhes pegou. E não me venham dizer que o problema era o preço, porque carros eléctricos que estão para sair custam bem mais e não compensam ainda em termos monetários, só em termos ambientais.

Portanto os carros eléctricos não são uma grande novidade, e o mesmo se aplica aos híbridos.

Primeiro automóvel eléctrico do mundo? Da Mitsubishi talvez

Primeiro automóvel eléctrico da MitsubishiOs senhores do departamento de marketing da Mitsubishi podiam ter poupado o embaraço de ter publicitado o i-MIEV como o primeiro automóvel eléctrico do mundo se dessem uma vista aqui pelo blog, se fizessem uma pesquisa pelo Google ou se simplesmente percebessem algo da história do automóvel.

Não bastavam os primeiros automóveis terem sido eléctricos (o primeiro eléctrico data de 1835), foi também um carro eléctrico que passou a mítica barreira dos 100km/h, assim como no inicio de 1900 a venda de carros eléctricos nos Estados Unidos superou a venda de carros a vapor e a gasolina.

Apoio completamente o lançamento de carros elétricos (a baterias ou células de combustível) e híbridos, e desejo à Mitsubishi que este carro seja um sucesso de vendas, mas não o publicitem como o primeiro automóvel eléctrico do mundo. Até a PSA que deve vender este i-MIEV sob a marca Peugeot teve o AX, Saxo e 106 em modelos 100% eléctricos e ainda vende carros de trabalho eléctricos como a Partner.

Quem matou o carro eléctrico? Foi mesmo suicídio!

Baker ElectricJá o Jay Leno que tem um Baker Electric de 1909 disse o mesmo, o carro eléctrico matou-se a ele próprio! Existe uma histeria enorme pelos fóruns automóveis sobre o documentário Who Killed the Electric Car? em conjunto com o documentário An Inconvenient Truth, aparecem teorias da conspiração sobre os automóveis eléctricos e que estes não vingam por causa dos “barões do petróleo”.

Ora, vamos então voltar a 1909, o carro eléctrico tinha várias baterias e precisava de ficar bastante tempo a carregar para ter uma autonomia reduzida (cerca de 160km). Vamos então saltar quase 100 anos na história, continuamos a ter carros eléctricos com várias baterias, um periodo elevado para carregamento e uma autonomia reduzida. O que mudou? Bem, hoje em dia os carros eléctricos não são só para as senhoras como eram antigamente com florzinhas e sofás.

Vejo pessoal a dizer que se pudessem também compravam um carro eléctrico, depois eu digo-lhes “Olha, porque não importas um Twingo ou Saxo eléctrico, acho que até tens do IA” e depois calam-se porque afinal não lhes dá muito jeito um carro que só faz 150km (com o rádio, luzes e ar condicionado desligados) e que precisa de ficar a carregar na garagem que muitos nem têm.

Eu também adorava ter um carro eléctrico, a manutenção é mínima e o motor tem mais rendimento que um a células de combustível só que eu não consigo recarregar um eléctrico em 5 minutos nem ter uma autonomia decente. 300 ou 400km já não era mau, o NECAR 3 lançado em 1997 com base no Classe A já tinha uma autonomia de 450 quilómetros apesar de ter uma velocidade máxima de 120km/h, lá está, bastavam 5 minutos a encher de hidrogénio. Em 1999 o NECAR 4 já atingia os 145km/h e continuava com 450 quilómetros de autonomia.

A GM não inventou nem matou nada, aliás como disse anteriormente a GM continua a investir. Se voltarmos atrás até ficamos a saber que o primeiro carro a passar os 100km/h era eléctrico mas estes carros não eram e continuam a não ser viáveis para a maioria da população apesar de no documentário dizerem que sim.

Como é que carregamos um carro eléctrico sem garagem? Vamos ter uma extensão de nossa casa ao carro? E se não temos lugar à porta? E se moramos num 3º andar? E se alguém usa a nossa electricidade para carregar o carro dele ou utilizar a energia para outros meios?

Depois temos uma autonomia muito reduzida e não são tão limpos como se diz, é necessário que a electricidade seja produzida através de um energias renováveis senão mais vale andar com carros a gás natural que a poluição é a mesma e não colocamos a rede eléctrica sobre stress, o mesmo se aplica para os carros a células de combustível.

E no final disto tudo temos o factor económico porque somos todos muito ecologistas agora (está na moda) mas se ser ecologista não compensa monetáriamente então esquece lá o ambiente e vamos queimar carvão.

Se a história tivesse outro rumo, com os carros eléctricos provavelmente hoje estavamos a ver o documentário Who Killed the Petrol Car? a falarem de autonomia e facilidade de carregamento.

Copyright © 2005 - 2012 Gosto mais de Carros do que Chocolates. Alguns direitos reservados.
gostomaisdecarrosdoquechocolates.com - As opiniões, críticas e pensamentos de um "petrolhead"
Ao navegar neste site está a concordar com os termos legais e de privacidade.