Coisas que me chateiam: Acidentes mal sinalizados
Ontem à noite ia tendo um acidente por causa de outro, extremamente mal sinalizado, numa curva sem visibilidade cujo limite é de 80km/h. Felizmente tudo seguia a uma velocidade reduzida e com uma distancia de segurança considerável, ainda assim a confusão de carros a travar repentinamente foi grande e até os senhores agentes ficaram perplexos com a situação que ali se criou.
Eu até percebo que as pessoas envolvidas no acidente nem se tivessem lembrado da situação perigosa em que se encontravam, no entanto com as autoridades no local não seria mal pensado a colocação de sinalização por parte destes antes da curva, fosse um triangulo ou uma placa mais apropriada a indicar acidente, mas não sei se todas as viaturas da brigada de trânsito estão equipadas com este tipo de sinalização. Protegem-se a eles, aos envolvidos no acidente e aos outros condutores que circulam na mesma via.
Melhor ainda são os placards electrónicos (dois) antes dessa curva que se limitavam a indicar que o trânsito no Terreiro do Paço estava cortado, estando eu a circular no sentido oposto e a uma distância considerável do Terreiro do Paço. Provavelmente o acidente a menos de 500 metros não era importante.
Coisas que me chateiam: Semáforos de controlo de velocidade
Lembro-me de ter lido à uns anos algures na net as palavras de um francês que quando veio a Portugal achou os nossos semáforos de controlo de velocidade uma ideia genial, pois não aplicam multa e obrigam o prevaricador a abrandar, reduzindo a velocidade média no troço que se segue. É a prevenção no seu auge.
E realmente, na teoria, ele tem muita razão. É pena é que grande parte destes semáforos não funcionam correctamente, e isso chateia-me!
Que sentido faz um semáforo com um limite de 50km/h e este dispara aos 45km/h ou menos? E quando estes estão afinados, mas alguém passa a 70km/h com o semáforo verde e os desgraçados que vêm a cumprir o código ficam lá retidos com o vermelho?
A avenida marginal que segue para Cascais então é o perfeito exemplo dos problemas destes semáforos e da ignorância dos condutores que teimam em não reduzir a sua velocidade, provocando um aumento do tempo de viagem, criando situações de trânsito mais compacto e aumentando os consumos.
Se calhar a forma ideal de colocar estes semáforos a funcionar seria a passar multas aos condutores que passassem o vermelho a uma velocidade superior ao permitido. Assim, se eu fosse a 70km/h e o semáforo fechasse eu parava com o sinal vermelho, assim tinhamos a componente preventiva. Se continuasse à mesma velocidade, uma vez já tinha sido advertido para tal, era multado. Ou isso ou obrigavam-nos a ver a novela mexicana entre o Marinho Pinto e a Manuela Moura Guedes durante duas horas.
É que já estou mesmo farto de ficar parado em semáforos vermelhos quando circulo a uma velocidade inferior à indicada, ou de levar com lombas (como na Av. Alfredo Bensaúde, que curiosamente já foram removidas) porque é mais fácil prejudicar todos do que punir os prevaricadores.
Coisas que me chateiam: Peões suicidas
Existem coisas nas nossas estradas que me deixam de cabelos em pé, uma dessas coisas são as passadeiras que estão todas a passar a ser pintadas em cima de lombas ou rampas de lançamento. Na “Alta de Lisboa” então é um abuso, até luzes vermelhas têm para sinalizar a rampa de lançamento aos aviadores, perdão, aos automobilistas.
Escusado será dizer que eu nessa zona tive que dar a volta, e felizmente tinha espaço para fazer inversão de marcha, porque o meu carro devidamente homologado pela antiga DGV para circular em Portugal não passa aí! E a história repete-se com muitos outros automóveis, o último caso que presenciei foi já na oficina, um pobre Passat que partiu o carter porque bateu lá.
E onde quero chegar com isto? Bom, ao ler certas barbaridades como esta facilmente percebo as asneiras feitas pelos peões no dia-a-dia. Ao passarem a mensagem de total impunidade do peão sobre as regras do Código da Estrada, uma vez que “o peão tem sempre razão”, é normal que estes se atirem para a passadeira sem olhar.
O peão não tem sempre razão. Os peões devem ser educados, deve-se explicar o conceito de prioridade contra o conceito de condições de segurança. Uma viatura não se imobiliza de um momento para o outro, portanto atravessar sem mais nem menos é por a vida em risco e raciocinem lá, um carro contra um ser humano, quem ganha?
Depois existem atropelamentos, muitas vezes mortais, e a culpa nem é do condutor. São peões que atravessam sem olhar, outros que assim que chegam à passadeira atravessam imediatamente porque “têm prioridade”, outros que vão a falar ao telemóvel ou a ouvir música e nem tomam atenção ao tráfego.
Depois aparecem ideias parvas como estas, onde se fazem passadeiras em lomba quando o correcto seria uma passagem aérea, passadeiras sem iluminação à noite entre outros factores. Eu que tanto conduzo como sou peão tenho noção que, embora existam culpas de ambas as partes, o maior factor para os acidentes nas passadeiras são o próprio planeamento inexistente na colocação de uma passadeira.
Se existe uma paragem de autocarros coloca-se uma passadeira, mesmo que seja no meio de um cruzamento ou numa descida sem visibilidade. Se existem três faixas em cada sentido coloca-se uma passadeira em lomba sem sinalização, mesmo que a velocidade média seja de 70km/h nesse local. Se existe uma rotunda ou um cruzamento coloca-se uma passadeira a cada entrada/saída porque alguém teve essa infeliz ideia e passou a ser moda.
E é aqui que os peões se tornam suicidas, confiam cegamente no sistema e no lema “o peão tem sempre razão” que não param para pensar e não percebem que uma passadeira numa curva sem visibilidade para ambos os sentidos não é um local seguro para atravessar a estrada, até porque em certas autarquias são os funcionários que percebem pouco de segurança que dizem onde ficam as passadeiras.
Não basta parar e olhar bem para os dois lados, é preciso ter senso-comum e capacidade de raciocínio antes de atravessar uma estrada.
Coisas que me chateiam: Justiceiros das estradas
Se existe coisa que me chateia muito são os justiceiros das estradas, pensam que são cheios de razão e fazem tudo o que podem para impor a sua lei enquanto estão dentro do carro, já fora dele são mansinhos como cordeiros.
O mais comum é o Justiceiro 120, circula sempre a 120km/h na faixa da esquerda e ninguém pode passar por ele porque o limite de velocidade não o permite. Se alguém faz sinais de luzes ou o passa pela direita ele é capaz de tudo, desde travagens a fundo, usar os esguinchos do pára-brisas ou até cortar a trajectória de quem ouse passar por ele, e se alguém conseguir tal feito será brindado com uma chuva de buzinadelas e sinais de luzes até perder tal prevaricador de vista.
Outro em vias de extinção graças às auto-estradas (ou que evoluiram para Justiceiro 120) são os Justiceiro EN, circulam entre os 50 e os 70km/h, no entanto se algum prevaricador ousa em ultrapassar este justiceiro ele mostra do que a sua máquina é capaz acelerando desalmadamente para evitar que o prevaricador leve a sua avante e o ultrapasse. Após desistir da ultrapassagem porque vem um camião em contra-mão o Justiceiro EN reduz a sua velocidade outra vez para os 50 a 70km/h fazendo gestos pelo espelho a mostrar que tem máquina para ir mais depressa mas não quer.
E agora fora de brincadeiras, o meu conselho a todos esses justiceiros, encostem e facilitem quem quer andar depressa, não ganham nada com a situação, bem pelo contrário podem encontrar alguém mais maluco que vocês que vos percebe e acaba à batatada a vocês ou ao carro, ou na pior das hipóteses acabar a conversa com um tiro, existem vários casos destes em Lisboa.
Na IC2 sem ninguém à frente uma senhora decide travar a fundo porque um 106 fez sinais de luzes, o rapaz do 106 mete-se pela faixa da direita que estava livre e a senhora atira-se literalmente para cima dele. Conclusão, tudo a travar a fundo por causa da brincadeira desta justiceira sem necessidade, alguns carros acabaram por passar pela berma para evitar uma colisão, e eu assim que tive oportunidade passei também a senhora com cuidados redobrados. Quem tem a obrigação de fazer cumprir o código é a BT, não são os condutores.
Coisas que me chateiam: Ambulâncias
O que me chateia não são as ambulâncias mas sim a atitude de certos condutores para com as ambulâncias! Começo a achar que entre um hospital a uma distância de 10km numa estrada com tráfego contra outro a uma distância de 30km numa estrada livre, prefiro ser atendido no segundo, é que se a minha vida depender de alguns condutores bem que posso morrer pelo caminho.
“Estás a exagerar” pensam vocês. Bom, estava eu parado num semáforo já a ouvir a ambulância à algum tempo, ainda ela vinha bem longe, e lá me encostei o mais à direita possível e cheguei o carro à frente. O velhote atrás de mim tinha o carro todo para a esquerda, nem as motas deixava passar, não se dignou a mexer o carro um centímetro que fosse. Para trás a história repetia-se, tudo impávido e sereno e a ambulância com a sirene ligada e já a buzinar para prosseguir com a marcha de urgência. O sinal abriu, eu passei pelo hospital primeiro que a ambulância, e note-se que estávamos a escassos 900 metros do hospital, se fossem a empurrar a maca pelo passeio tinham chegado mais cedo.
Pergunto eu, o que vai na cabeça destas pessoas que não deixam passar uma ambulância? Só falta começarem a reclamar “Escolhesses outra hora para ter um ataque cardíaco” ou “Mete um bocado de água oxigenada que isso passa”.
Esta visão triste diz muito sobre nós e sobre o nosso comportamento egocêntrico na estrada, e isto não me chateia, irrita-me mesmo!
Coisas que me chateiam: Circular na faixa do meio
Se há coisa que me tira do sério e que me faz pensar “se não fossem estes mentecaptos já estava no meu destino e com mais dinheiro no bolso” é a malta que circula sempre na faixa do meio.
A malta tem ideia que a faixa do meio é mais segura e que a da direita é para os pesados, e dali não saem, os outros se quiserem que passem por cima. Se dantes ainda me dava ao trabalho de fazer sinais de luzes para tentar corrigir estes maus hábitos, agora acabo por passar muitas vezes pela direita que se torna menos perigoso que atravessar 3 faixas e retornar à direita. Uns acabam por enconstar à direita, outros fazem sinais de luzes e ainda existem aqueles que nem ligam e continuam na vida deles.
A foto aqui mostrada é da Ponte Vasco da Gama porque já me aconteceu mais do que uma vez fazer esta ponte totalmente de uma margem à outra pela faixa da direita passando o pessoal que circula entre a faixa do meio e a da esquerda. Eu sei que também estou em contra-ordenação, mas o código manda-me circular o mais à direita possível, se os outros não se encostam e teimam em impor o seu ritmo aos outros condutores eu acabo por passar (não ultrapassar, atenção) pela direita. Se já lá estou, não vou atravessar várias faixas para uma ultrapassagem.
Dou-vos como exemplo esta reportagem da RTP com a GNR-BT no Youtube sobre este fenómeno. Engraçado que a “menina” que conduzia o Yaris após ter sido advertida pela GNR-BT para circular pela faixa da direita diz calmamente que se distraiu e por hábito voltou a circular na faixa do meio, e ainda me diz que tinha noção que cometia uma infracção, “inconscientemente sim” disse ela. Ó senhor guarda, inconscientemente matei 5 criancinhas, bati em 3 carros e ainda fiz a auto-estrada em sentido contrário, é hábito, perdoe lá a multinha desta vez…
Alterar mentalidades dos condutores é preciso, não me venham é atirar areia para os olhos (sim, senhores da ACA-M) que o que provoca acidentes é o excesso de velocidade e as campanhas publicitárias da BMW.
Coisas que me chateiam: Circulação nas rotundas
Eu até percebo que não existiam rotundas quando muito boa gente tirou a carta e que por isso não saibam circular nelas, mas daí a termos instrutores da velha guarda a ensinarem actualmente que as rotundas se devem fazer todas pela direita, isso chateia!
Não percebo o que vai na cabeça das pessoas que apenas usa a faixa da direita das rotundas, o que devem elas pensar em relação às outras faixas? Será que as faixas interiores são para quem quer ficar às voltinhas lá dentro? Não percebem que, dando uso às outras faixas o trânsito pode fluir de uma forma mais rápida?
Curiosamente quem faz as rotundas pela direita também deve andar nas auto-estradas sempre pela faixa do meio, mas isso fica para outra altura, porque também me chateia bastante!
