A mobilidade eléctrica e a Mobi.e

Escrevi recentemente que os carros a gasolina e gasóleo não vão desaparecer, e embora tenha aumentado o número de vendas de carros eléctricos e plug-in, estes ainda não são a solução para todos.

Em Portugal um dos pontos negativos é a rede de carregamento. Nada contra a Mobi.e, que ao contrário do resto da Europa, a ideia é que funcione tal e qual como o Multibanco, independentemente do fornecedor de energia podemos usar qualquer ponto de carregamento. Uma óptima ideia.

O problema é que muitos dos pontos de carregamento estão sem funcionar ou a funcionar de forma deficiente.

Ponto de carregamento Mobi.e

Já tinha reparado que vários postos estavam sem funcionar, mas nunca liguei muito. Agora, desde que adquiri um plug-in que tenho reparado no estado em que os postos se encontram.

Além dos típicos não-eléctricos a ocupar os lugares de carregamento, temos postos sem funcionar, outros com ecrã ilegível, outros que começam a carga e param passado pouco tempo. Não se pode confiar na rede pública para carregamento.

E isto é a minha experiência nos postos de carga lenta, porque não tenho um 100% eléctrico e não faço uso dos postos de carregamento rápido.

Ainda pensei que fosse diferente, mas ao consultar o Electromaps e alguns fóruns da especialidade constato que o panorama é igual, postos sem funcionar.

Já me aconteceu chegar na reserva de gasolina e com apenas 2 quilómetros de autonomia eléctrica a um posto de carregamento e este estar fora de serviço. Não tenho problema porque ao lado tinha uma bomba de gasolina e segui viagem, mas quem tem um carro puramente eléctrico presumo que deve ficar limitado nas suas deslocações carregando o carro sempre por antecipação sob risco de encontrar um posto de carregamento fora de serviço e não poder prosseguir viagem.

E isto é um entrave para a mobilidade eléctrica. Actualmente já começam a aparecer carros com autonomias superiores a 300 quilómetros o que ajuda a ultrapassar esta limitação, mas quem tem um carro com uma autonomia inferior fica limitado ao estado da rede. Se tivesse um carro 100% eléctrico não saia de casa sem autonomia para ir e voltar.

Nem quando circulava a GPL encontrava estes problemas de forma recorrente, em mais de 120 mil quilómetros tive apenas duas situações em que tive que circular a gasolina porque o posto estava fora de serviço. Com o Ampera nem 4 mil quilómetros rodei em Portugal e já tenho uma lista considerável de situações em que o carregamento não foi possível.

Numa entrevista recentemente na RTP um proprietário de um carro 100% eléctrico até indicou que não se importava de pagar o carregamento, se tivesse a garantia que o posto estava a funcionar. Noutros locais alguns proprietários, embora poucos, admitem voltar a ter apenas um carro a gasolina ou gasóleo porque a rede pública simplesmente não funciona.

Para terem uma ideia, é o equivalente a saírem de viagem com o depósito atestado, chegarem ao destino na reserva e terem a bomba onde iriam atestar fora de serviço, fazer mais quilómetros para o próximo posto de abastecimento e este estar com todas as ilhas ocupadas por carros eléctricos e terem que chamar a assistência em viagem porque não têm combustível suficiente.

É verdade que os carros eléctricos não são solução para todos porque é obrigatório ter garagem ou lugar de estacionamento onde se possa carregar o carro, mas o estado em que se encontra a rede Mobi.e é certamente um entrave adicional a quem poderia adoptar um carro eléctrico como o único carro para deslocações. Serão certamente o futuro, mas no estado em que se encontra a rede de carregamentos, não nos podemos esquecer que ainda vivemos no presente.

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