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Guia da insonorização automóvel

Insonorização num automóvel com DynamatUm carro sem ruídos parasitas e devidamente insonorizado transmite uma sensação de conforto superior a outro carro. A sensação de passar num buraco é totalmente diferente quando não existe nenhum ruído associado ou quando parece que o carro se vai desmontar, apesar da força da pancada ser igual.

A ausência de ruídos aerodinâmicos, assim como ruídos externos de rolamento dos outros veículos ou dos seus motores transmite uma sensação de luxo e conforto fenomenal. Não é por isso de estranhar que várias marcas invistam na insonorização das suas viaturas de topo. E a marca de topo em insonorização é a Rolls-Royce.

O processo inicia-se sempre com testes em túnel de vento para identificar e atenuar os ruídos aerodinâmicos de uma viatura e no final opta-se pela aplicação de material que forneça massa à chapa ou mesmo pela adopção de vidros laminados ou duplos para reduzir os ruídos aerodinâmicos.

Mas, ao contrário de um Rolls-Royce, existem compromissos monetários noutras marcas que fazem com que não se invista tanto na insonorização. Nestes casos podemos nós iniciar os trabalhos de insonorização para o tornar o nosso carro mais confortável e silencioso, e se forem adeptos do car áudio então as melhorias ainda são mais notáveis.

O meu carro é até bastante silencioso tendo em conta o ano do projecto e a tecnologia disponível na altura. É até mais silencioso que outros carros do mesmo segmento lançados posteriormente. No entanto sempre quis ter um carro que ao fechar a porta deixasse de ouvir o que se passa lá fora e com a insonorização (que ainda não se encontra terminada) consegui isso, e melhorei bastante o rendimento do meu sistema de som. No antigo site do meu 406 Coupé tinha todas as etapas da insonorização acompanhadas de fotografias. Decidi assim partilhar aqui o know-how que adquiri durante este processo para quem se deseja iniciar nestas lides.

Identificar as fontes de ruído num automóvel

Mapa de ruído do 406 CoupéExistem 3 fontes principais de ruído num automóvel: o conjunto motor/escape, o ruído de rolamento e o ruído aerodinâmico.

Estão a pensar que o ruído de rolamento e o ruído aerodinâmico são a mesma coisa, mas apesar de ambos aparecerem com a viatura em movimento combatem-se de formas distintas.

Mas vamos por partes. Antes de enchermos o carro de material para insonorização devemos confirmar se não é possível atenuar estes ruídos de outra forma. Se o nosso carro faz barulho porque tem uma fuga de escape devemos corrigir essa fuga e não insonorizar o carro para atenuar esse ruído.

No caso dos ruídos de motor e escape devemos ter em atenção se não temos nenhuma fuga de escape e se os apoios do escape estão em condições. O mesmo se aplica aos apoios do motor para reduzir vibrações para o habitáculo. Devemos também verificar se o motor está a trabalhar devidamente afinado. Um motor com as revisões em dia e a funcionar em condições vai produzir menos ruído do que um motor desafinado.

No ruído de rolamento podemos verificar se os pneus estão em condições e optar por uns pneus mais silenciosos. Pneus de turismo aconselham-se, devemos fugir de pneus com piso em V para evitar ruído de rolamento muito presente. Devemos também ter em mente se os rolamentos se encontram em condições, se as jantes estão devidamente calibradas, a direcção alinhada e a pressão dos pneus é a correcta.

No caso dos ruídos aerodinâmicos temos pouco espaço de manobra porque depende muito da concepção da viatura. Devemos no entanto verificar o estado das borrachas, e aqui o Gummi Pflege da Einzett faz maravilhas para restaurar e manter as borrachas em condições. Devemos ainda verificar se as nossas portas estão afinadas e a fechar correctamente.

Material a usar e as suas aplicações

Existe muito material à venda para insonorização. Em vários fóruns vêm-se aplicações de placas de alcatrão normalmente utilizadas na construção civil, mas este material além de pesado tem um cheiro incomodativo e tem tendência a descolar. É barato, mas não foi feito a pensar na aplicação no automóvel.

Eu aconselho a utilização de material de qualidade feito a pensar em automóveis. Uma insonorização não é feita com a poupança em mente mas sim com resultados. Se querem fazer uma insonorização sem gastar dinheiro então aconselho que não o façam porque se vão arrepender.

No meu caso usei apenas material da Dynamat e da Brax, mas existe também a Second Skin com material de insonorização de elevada qualidade, tão bom como Dynamat.

Falando da Dynamat, usei o Extreme e o Dynaliner. O Dynamat Extreme é uma placa de butil e alumínio, é auto-adesiva e bastante maleável. Pode ser cortado com facilidade com uma tesoura forte e é relativamente leve e não deita qualquer cheiro, mesmo durante o Verão com o calor intenso. A aplicação é simples, basta limpar bem a chapa para garantir uma adesão perfeita e passar com um rolo por cima para retirar qualquer bolha de ar que possa ficar durante a aplicação e garantir um contacto a 100% com a chapa.

Estas placas dão massa à chapa, ou seja, tornam-na mais rija reduzindo vibrações e criando uma barreira para o ruído (especialmente graves) e para o calor. São o primeiro passo numa insonorização e é aqui que se notam mais resultados. Podem ver no vídeo em baixo a diferença entre um painel insonorizado com Dynamat Extreme e um painel sem insonorização.

O Dynamat Dynaliner deve ser colocado por cima do Extreme. É um material esponjoso, extremamente leve e é mais eficiente a absorver ruídos agudos. É também útil para evitar ruídos parasitas em algumas situações. Este material é resistente a água e óleo e pode ser aplicado em qualquer local.

Usei ainda o Brax eXvibration que é um produto viscoso que deve ser aplicado com uma trincha ou à pistola e que é ideal para todos os locais onde aplicar Dynamat Extreme não é viável. Cheguei a fazer alguns testes aplicando o eXvibration no topo do Dynamat mas os resultados não compensam o tempo de aplicação daquele produto. Utilizei-o no entanto com óptimos resultados nos plásticos das cavas das rodas e nos painéis interiores de plástico.

Um bom local de aplicação será por baixo do carro, sobreposto por um anti-gravilha mas aqui é necessário ter um elevador ou colocar o carro sobre 4 preguiças e fazer esta operação com muito tempo e paciência.

Para locais de contacto de plástico com plástico ou com tendência a criar ruídos parasitas usei fita de tecido da Würth. Se encontrarem fios em contacto com a chapa ou plástico é boa ideia isolar os mesmos com fita de tecido.

De todo o material que usei apenas um não era indicado para automóvel. Tratou-se de uma espuma de polietileno de baixa densidade utilizada normalmente para soalhos flutuantes, mas tem uma capacidade de absorção de frequências altas interessante e resiste a temperaturas bem superiores às que se fazem sentir num carro num dia de calor intenso. Esta espuma foi usada apenas para
encher painéis que são ocos para evitar a propagação de ruído pelo habitáculo.

Métodos e verificações antes de iniciar a insonorização

Eu aconselho a iniciar uma insonorização por partes. O ideal será mesmo insonorizar por exemplo as portas e os pilares A para ganharmos alguma experiência em locais de aplicação diferente. Devem então montar tudo e circular com o carro uns dias para verificar se as guarnições estão de forma sólida no seu local e se não existem ruídos provenientes das operações que efectuaram. Após este passo podemos então fazer tudo de uma só vez.

Se não tiverem essa possibilidade podem fazer a insonorização totalmente por partes, embora seja mais trabalhoso porque vai ser necessário montar e desmontar as mesmas guarnições várias vezes.

Sempre que desmontamos uma guarnição de uma porta ou outro tipo de painel devemos aplicar molas novas (se estas forem de plástico) e verificar se os parafusos se encontram em condições. Desta forma garantimos que estas ficam fixas e não vão produzir ruídos parasitas.

Se acham que o vosso carro não tem ruídos parasitas esperem até iniciarem uma insonorização. Conforme vão reduzindo o nível de ruído no interior do carro vão aparecendo ruídos parasitas que se encontravam camuflados porque o volume do ruído exterior abafava este som.

É por isso importante, sempre que iniciamos uma insonorização, ter em mente que componentes do habitáculo podem produzir ruídos e vibrações. Por exemplo, se formos insonorizar a consola central e verificarmos que o cinzeiro do carro assenta em plástico, é uma boa ideia aplicar fita de tecido na área de contacto para evitar posteriores ruídos.

Outra ideia é aplicar espuma ou material esponjoso que consiga absorver vibrações quando exista espaço para tal.

Ao colocarmos uma guarnição novamente no local devemos também ter em atenção que esta fica presa de uma forma sólida. Deixo no entanto um aviso, dum erro que fiz na minha insonorização. Os parafusos querem-se fixos sem qualquer movimento, as molas que prendem as guarnições já não funcionam da mesma forma. Estas devem ter sempre alguma margem de manobra para se movimentar, caso contrário com as vibrações a que está sujeito o automóvel (principalmente em piso degradado) as molas vão acabar por ceder por não terem possibilidade de se mover.

Algo que é de extrema importância e espero que tenham isto em mente se iniciarem uma insonorização: Um carro não é estático e tem partes que se movem. Elevadores de vidros, fechaduras, etc. Sempre que aplicamos material de insonorização devemos ter em atenção que não vamos interferir com estas partes móveis. Também precisamos de ter em conta parafusos, rebites e até buracos na chapa que são usados para acesso a outras áreas. A insonorização vai ter mais resultados se taparmos tudo e mais alguma coisa, mas no futuro poderá sair caro se for necessária uma intervenção na viatura.

Devemos também ter em atenção o espaço entre a guarnição e a chapa e não devemos aplicar material muito espesso onde não existe margem de manobra. Ao colocarmos as guarnições no sitio estas ou não entram ou entram forçadas e o mais provável é acabarem por saltar. Vi um caso destes num fórum onde vários utilizadores estavam a partilhar as suas experiências em insonorização.

Primeiro passo: Portas

Portas do 406 Coupé com Dynamat ExtremeO primeiro local a iniciar uma insonorização são as portas do carro. É aqui que vão notar mais diferenças porque estão sentados ao lado delas, embora os ouvidos estejam a um nível superior, mas lá chegaremos.

As portas de um carro normalmente têm duas áreas de chapa, uma interior e outra exterior. Em ambas devemos aplicar material como o Dynamat Extreme para garantir os melhores resultados possíveis, especialmente para melhorar o rendimento do vosso sistema de som. A porta deve ser toda cobertura de cima a baixo.

Após aplicar as placas de butil na chapa da porta é também aconselhável aplicar este material nos elevadores dos vidros para evitar vibrações.

Se tiverem um bom sistema de som é uma boa ideia aplicar material que evite a ressonância do som nas portas e a distorção. No meu caso apliquei Focal Plain-Chant e tive uma melhoria interessante no médio-grave. A Dynamat tem o Dynaxorb que é semelhante.

Temos agora as nossas portas insonorizadas, especialmente para ruídos graves. Devemos então aplicar por cima do butil material esponjoso como o Dynamat Dynaliner de forma a reduzir também ruídos agudos. É boa ideia, se existir espaço, aplicar este tipo de material no interior das guarnições da porta pois ajudam a reduzir ruídos parasitas e criam mais uma barreira para ruído.

Após terminarem esta operação coloquem tudo no sitio e vão dar uma volta para verificar as diferenças e vão ver que não querem outra coisa.

Bagageira

Bagageira do 406 Coupé com Dynamat Extreme e Brax eXvibrationApós a insonorização das portas, aconselho a insonorização da bagageira na totalidade. O piso, as laterais e a tampa da bagageira são locais que deixam passar muito ruído porque a carpete é menos espessa que no habitáculo e por ser uma área aberta o som propaga-se rapidamente.

No piso da bagageira aconselho mesmo a aplicar duas camadas de butil no local onde se encontra o escape para cortar calor e ruído proveniente da última panela. O Dynaliner de que tenho falado não é aqui muito útil, apenas nas laterais da bagageira. Para utilizar no piso da bagageira o aconselhado será o DynaPad que é vocacionado para frequências graves.

Normalmente esta é uma parte onde a aplicação é simples porque a chapa tem tendência a ser lisa nesta área para maximizar o espaço de carga. É também nesta área onde se encontra material insonorizante aplicado de origem, mesmo em viaturas com uma construção mais simples.

Se tiverem som no vosso carro e caso tenham na bagageira um subwoofer ou umas colunas que movam bastante ar vão verificar uma melhoria interessante nos graves.

Caso tenham um carro de duas ou quatro portas com uma chapeleira em metal, como é o meu caso, devem insonorizar a mesma para reduzir vibrações. Nesta área a chapa costuma ser bastante mais fina que no resto do carro por não ser um componente estrutural, daí que seja aconselhável aplicar duas camadas de Dynamat Extreme.

Piso do habitáculo

O piso do habitáculo é uma área onde ainda não terminei a insonorização, no entanto já apliquei material nalgumas áreas e deu para efectuar alguns testes e comparar resultados. O ideal aqui é a aplicação de Dynamat Extreme para dar massa à chapa e cortar as frequências graves que vêm da linha de escape e do ruído de rolamento. Se existir espaço para tal devem ser aplicadas duas camadas, especialmente onde os passageiros colocam os pés para que sejam anuladas as vibrações do chassis que são transmitidas para o nosso corpo.

Tal como na bagageira o aconselhado para aplicar por cima do Extreme será o DynaPad que é vocacionado para frequências graves.

Se tiverem a possibilidade devem também insonorizar a firewall que ajuda a reduzir não só o ruído do motor mas também ajuda a atenuar o ruído de rolamento e torna o habitáculo mais fresco.

Pilares

Pilares A do 406 Coupé insonorizadosApós insonorizarmos as portas, a bagageira e o piso do habitáculo as reduções de ruído vão começar a ser menos perceptíveis. Por outro lado os locais de entrada de ruído vão ser mais localizados, e possivelmente vão verificar que os pilares têm um elevado ruído aerodinâmico. Devemos aqui fazer uma aplicação semelhante à efectuada nas portas, com Extreme aplicado nas várias camadas de chapa e por fim Dynaliner para bloquear as frequências agudas criadas pelos ruídos aerodinâmicos, aplicando-o também nas guarnições.

Se tiverem acesso a algum tipo de espuma como a espuma de polietileno podem encher os pilares para evitar a propagação do ruído. Nunca usem espuma de poliuretano para estas aplicações, esta vai expandir e ficar rija e se for para algum local indesejado vai ser complicado remover a mesma. A sua expansão pode até danificar os pilares da viatura e a sua capacidade de absorção de ruído não é ideal.

Tejadilho

Tejadilho do 406 Coupé insonorizadoSe são adeptos de sound quality e prezam o palco sonoro do vosso sistema então a insonorização do tejadilho vai-vos deixar bastante satisfeitos. Eu notei um palco mais presente e definido com uma dinâmica mais apurada.

Se fazem muita auto-estrada também vão notar uma redução do ruído aerodinâmico, especialmente em dias de chuva. O meu maior espanto foi mesmo ao pé do aeroporto de Lisboa ter o ruído dos aviões a entrar apenas pelos vidros.

No tejadilho devemos aplicar pouco material, basta uma camada de Extreme para dar massa à chapa e uma camada de Dynaliner para cortar as frequências agudas.

Capot

Capot com Dynamat Extreme no 406 CoupéAgora que o habitáculo está totalmente insonorizado devemos passar a insonorização para o exterior da viatura para evitar que os ruídos se propaguem. Um bom local para começar será o capot para evitar que o barulho do motor invada o habitáculo através do pára-brisas.

Volto a frisar que é bastante importante utilizar material desenvolvido para aplicação em automóveis devido às elevadas temperaturas que se fazem sentir nesta área.

No meu caso apenas apliquei uma camada de Dynamat Extreme por baixo da cobertura original que já fornece uma protecção térmica e atenua o ruído do motor. Podem aplicar duas camadas ou remover a protecção original e aplicar Hoodliner, mas eu preferi manter o aspecto original e permitir que algum barulho do motor entre no habitáculo porque gosto de trocar as mudanças por ouvido, porque quando tenho a música mais alta não oiço o motor e às vezes lá dou por mim com o carro a morrer.

Cavas de roda

Pneus Michelin Primacy HPO ruído de rolamento das cavas de roda é bastante incomodativo e fica muito presente, principalmente em piso degradado ou com um alcatrão de qualidade inferior. Tal como indiquei no inicio o ideal é ter uns pneus com baixo ruído de rolamento, é por isso que optei pelos Michelin Primacy HP.

No entanto apliquei Brax eXvibration no interior das protecções plásticas das cavas da roda. Se tiverem espaço para isso o ideal é aplicar Dynamat Extreme no exterior do carro nas áreas de chapa que dão para o habitáculo. É algo que não fiz, confesso, mas estou tentado a aplicar algum Dynamat naquela área porque fica protegido dos elementos.

Resultados no 406 Coupé

No meu carro, apesar da insonorização ainda não estar terminada consegui reduzir cerca de 15dB no nível de ruído no habitáculo. Posso circular em auto-estrada e falar normalmente com os passageiros sem ser necessário elevar a voz. O carro ficou mais pesado, deve ter em material de insonorização cerca de 30kg a mais, mas está mais sólido e o conforto é totalmente diferente.

Noto quando ando noutro carro a quantidade de ruído que invade o habitáculo, especialmente em auto-estrada.

Em termos de conforto térmico existem diferenças também, mas não são tão notórias. Na bagageira notava a área da última panela sempre quente e agora encontra-se fresca, e no capot após uma viagem grande está apenas morno, enquanto que anteriormente ficava bem quente. No Smart da minha namorada apliquei Dynamat Extreme na cobertura do motor por esta razão, para evitar que o calor passasse para a área da bagageira que também aquecia bastante e as diferenças notam-se bem ao toque.

Se tiverem algumas dúvidas ou sugestões podem deixar um comentário que terei todo o gosto em vos responder. Infelizmente não posso é dar opinião sobre produtos que não experimentei, daí que tenha partilhado a minha experiência apenas com os produtos da Dynamat e da Brax.

Actualização a 19/08/2014:
Criei um novo website, Sound Deadening, onde partilho as etapas da insonorização do 406 Coupé.

Manutenção e tratamento de bancos em pele

Estofos em peleNão dispenso uns bons bancos em pele num carro. Além de esteticamente ser mais apelativo, são mais confortáveis, mais higiénicos e o cheiro a pele num carro fica sempre bem.

Mas falo de pele a sério e não dessas napas ou vinis que vêm em muitos carros como sendo pele. Aliás, sempre que alguém me diz que não gosta de estofos em pele normalmente têm no carro estofos em napa ou vinil que é extremamente quente no verão e tem um toque plástico e não macio.

Uns bons bancos em pele podem sempre ser rejuvenescidos mesmo que sofram alguns abusos a nível de uso, mas existem alguns cuidados que permitem mantê-los em óptimas condições durante a vida útil de um carro.

Limpeza e manutenção

Dependendo do tipo de pele existem vários produtos que podem ser utilizados. Se a pele for impermeabilizada (coated leather) podemos limpar a pele com água morna e um detergente suave, como um usado para lãs por exemplo, em pouca quantidade para limpar os estofos. Este método só deve ser usado se a pele for condicionada de seguida porque vai retirar os óleos essenciais da pele e se for usado regularmente vai tornar a pele rija quase como cartão.

Existem produtos 2 em 1 como o Pinnacle Leather Cleaner & Conditioner que poupam tempo e produzem bons resultados para serem utilizados regularmente e mantém a pele limpa e condicionada.

Para aqueles com mais tempo e que querem o melhor resultado aconselho sem dúvida a dupla de limpeza e condicionamento da Gliptone, o GT12 Gentle Cleaner e o GT11 Conditioner. De todos os produtos que já experimentei estes são os que deixam a pele suave, sem ficar escorregadia e com um cheiro a pele delicioso.

Estes são processos rápidos que podem ser feitos mensalmente ou de dois em dois meses dependendo dos elementos a que o carro está exposto, principalmente em termos de poeiras e exposição solar.

Basta um aplicador micro-fibras para espalhar o produto pela pele, esfregando ligeiramente, e um pano micro-fibras para retirar o produto.

Rejuvenescimento

LeatheriqueSe a pele do vosso carro está mal tratada, com uma cor escura ou com um toque áspero aconselho a aplicação do Leatherique.

Este é o melhor produto que existe para a pele e os resultados roçam o restauro dos bancos. A sua aplicação é complexa e requer paciência e dedicação.

Pessoalmente faço a aplicação do Leatherique Rejuvinator Oil sempre em dias de calor (30º ou mais) com luvas cirúrgicas massajando a pele para que o produto se entranhe, especialmente na zona das costuras no caso de pele impermeabilizada (coated leather) para que a pele absorva o produto. Aplica-se com abundância até que a pele deixe de absorver mais produto.

Depois de todo o carro ter sido tratado deixamos-o ao sol ou num local quente durante um ou dois dias para o produto actuar.

Quando voltamos começamos a limpar os bancos com o Leatherique Prestine Clean, mas normalmente eu primeiro passo um aplicador de algodão com água morna para ajudar a tirar o excesso das faces dos bancos que normalmente ficam pegajosos.

Depois desta operação os bancos vão ficar muito mais suaves e com volume, mas os resultados continuam a melhorar durante as próximas 24 horas porque a pele continua com Leatherique mas está agora sem sujidade ajudando a pele a respirar.

Num carro que nunca teve qualquer tipo de tratamento normalmente uma a duas aplicações deste género são suficientes para trazer os bancos de volta à vida. No meu caso, apesar de manter a pele condicionada volto sempre a repetir este processo a cada um a dois anos para manter a pele suave.

Deixo apenas um aviso no caso da aplicação no volante, este é um local que está sempre muito mais sujo da transpiração e dos óleos transmitidos das mãos para a pele, pelo que poderá demorar algum tempo a limpar esta área de forma a que o volante deixe de ficar pegajoso.

Restauro

Se a pele está sem cor ou rasgada não existe condicionador que nos safe, nem o Leatherique. Aqui já entramos no campo do restauro e o produto que utilizei foi o Scuffmaster da Gliptone. No site da Gliptone em liquidleather.com existe uma tabela com as cores de vários estofos que podemos pedir, ou enviar um pedaço de pele para que nos enviem um kit de restauro afinado a uma cor especifica.

Este é um produto óptimo para pequenos locais onde falta a pele ou a cor está gasta. Basta condicionar a pele e aplicar o produto com um aplicador poli-espuma ou uma pistola de aerosol utilizada no modelismo para pintura.

Este já é um processo que requer alguma técnica e se em pequenos retoques os resultados são perfeitos, em áreas superiores nem sempre ficamos com uma tonalidade a 100%, é necessário experimentar mas no final o resultado é sempre superior a ter um rasgo branco nos bancos.

Posso-vos dizer que usei este produto no meu 406, inclusive pintei um apoio de braço que vinha com a pele em preto e ficou muito bom.

Ligações eléctricas simples com Posi-Tap

Conector Posi-TapEste post vai ser um pouco fora do normal para o que costumo escrever aqui no blog, mas vai ser útil a quem gosta de DIY.

Tenho algum material eléctrico para instalar no carro mas os locais de ligação são de difícil acesso e podem estar sujeitos a algumas vibrações. Além disso estão num local de difícil acesso.

Ora, soldar está fora de questão, não tenho jeito e com o calor sujeito-me a derreter o isolamento dos cabos. Posso sempre cortar os cabos e cravar uns terminais, mas colocar um alicate de cravar ali é complicado e lá teria que dar calor na manga termo-retrátil para ficar algo seguro. Ainda pensei naqueles terminais de plástico para cravar mas não me inspiram confiança.

Comecei a fazer algumas pesquisas na net para ver a melhor técnica para a instalação que queria fazer e cheguei a um site muito interessante, o Motorz TV onde usam uns conectores de nome Posi-Tap. Depois de ver um vídeo onde mostram como funcionam e de consultar alguns fóruns principalmente de motas onde usam estes conectores fiquei rendido. Afinal de contas se aquela ligação aguenta as trepidações de uma mota, num carro é ouro sobre azul.

Aliás, existem acessórios para motas como lâmpadas adicionais para todo-terreno que já trazem os Posi-Tap para fazer a ligação à cablagem original da mota.

Lá mandei vir uns de Inglaterra do site Kojaycat e passados 4 dias estavam a ser entregues à minha porta. Recomendo!

Assim que os recebi fui fazer uns testes. Arranjei um pouco de fio de 2mm e fiz a ligação. Verifiquei com um multímetro e a corrente passa sem dificuldades. Desmontei tudo e o interessante é que no fio que teoricamente estará na viatura apenas fica um ligeiro furo de uma agulha no topo. Voltei a montar e a desmontar várias vezes e fui sempre verificando com o multímetro se existiam diferenças na resistência, mas estava tudo 5 estrelas.

Comecei então, depois de montar e desmontar tanta vez, a puxar pelos fios. Foi preciso puxar com um alicate com força para que o isolamento do fio desse um pouco de si e consegui apenas puxar alguns fios de cobre, uma vez que o fio de 2mm era multi-filar.

A melhor ligação será sempre soldar os fios e isolar com manga termo-retrátil, mas para quem não tem jeito como eu os Posi-Tap são fantásticos e dão quinze a zero aos terminais de cravar. O melhor de tudo é que são simples e rápidos de instalar, são reutilizáveis e ao desmontar deixam poucas ou nenhumas marcas na cablagem de origem da viatura.

Lavar o carro “à detalhe” é ecológico

Lavagem à detalheJuntar “lavar o carro” e “ecológico” na mesma frase normalmente faz disparar vários alarmes na sede do partido dos Verdes e faz com que na Quercus se espumem da boca.

Mas é verdade, eu consigo lavar o meu carro (que tem 4.61m de comprimento) com cerca de 15 a 20 litros de água, enquanto que numa dessas lavagens automáticas ou manuais (Elefante Azul por ex.) se gasta mais água e os produtos usados são agressivos para o meio ambiente.

Eu posso encher dois baldes de água com cerca de 5 litros cada, um com água limpa, outro com água com shampoo biodegradável, e gasto cerca de 5 a 10 litros a passar o carro por água duas vezes. O resto é feito calmamente, com uma luva ou esponja lava-se o carro “à detalhe”, os resultados são superiores a qualquer outro tipo de lavagem e tanto os gastos com água como em dinheiro ficam bem mais baratos.

É também uma actividade que, pelo menos para mim, é relaxante e segundo um dos últimos episódios do Mythbusters um condutor calmo e relaxado pratica uma condução mais eficiente e amiga do ambiente. E como o carro está polido e com as lavagens “à detalhe” evita-se a acumulação de contaminação na pintura gera-se menos atrito e, teoricamente, o consumo deverá baixar.

Só é pena não existirem centros de lavagem manuais que permitam uma lavagem cuidada do nosso automóvel usando um balde e uma esponja ou algo do género.

Lavagem de chassis e parafinar, sim ou não?

Lavagem de ChassisComo muitos dos meus amigos sabem que eu gosto mais de carros do que chocolates e faço sempre os possíveis por ter o carro em estado de concurso é comum fazerem-me algumas perguntas sobre os melhores métodos para manter o carro em bom estado.

Recentemente perguntaram-me o que eu achava da lavagem de chassis (vulgo lavagem de estrada) e de parafinar o mesmo porque na oficina disseram que a parafina repele a sujidade e lubrifica o chassis.

Vamos então por partes, os chassis dos automóveis actuais não necessitam de ser parafinados, a não ser que se esteja a falar de um jipe ou camião com chassis de travessas. Claro que isto ganhou fama e parafinar o chassis passou a ser prática comum em todos os carros porque antigamente era assim, logo hoje também tem que ser. Depois começaram a parafinar também os motores porque ficava brilhante (seboso vá) e os clientes ficavam todos contentes porque o motor brilhava como se estivesse novo.

A parafina ataca as borrachas e em vez de um efeito repelente contra a sujidade faz exactamente o contrário criando uma massa pastosa e cinzenta com pó e terra agarrado.

A lavagem de chassis pode ser feita anualmente para carros que façam quilometragens elevadas ou percursos com muita terra e pó, os outros podem fazer isto de dois em dois anos. Pessoalmente aconselho a fazer a lavagem de chassis no final da época das chuvas e aproveitar para reaplicar o tratamento anti-gravilha onde este possa desaparecer.

Assim com lavagens mais “regulares” até podemos evitar algumas folgas que possam aparecer com o acumular da sujidade.

Em relação à lavagem de motores desaconselho nos motores com mais electrónica, e mesmo nos outros é necessária alguma precaução, mas irei dedicar algum tempo para escrever sobre isto com mais calma.

Portanto e em conclusão, lavar o carro por baixo sim, parafinar o carro por baixo não!

Insonorização automóvel faz bem aos dentes, a sério!

Dynamat ExtremeEu sei que o título pode parecer “gozão” mas é verdade, a insonorização faz bem aos dentes e não só, faz bem à saúde em geral. Os carros são tudo menos silenciosos, contam-se pelos dedos os modelos cujo motor pouco se ouve fora do habitáculo, vivemos num país onde a buzina é usada a torto e a direito, temos os “xunings” com as panelas universais e o som aos altos berros para mostrar que deram €25 por umas colunas da Denver na Worten, temos os putos do carro ao lado a berrar e os país desses miúdos no banco da frente a discutir… Então e se eu pudesse estar na estrada sem todo este ruído a entrar-me pelos ouvidos dentro e a fazer ranger os meus dentes de irritação?

Pois é, eu já tinha falado anteriormente que estava a tratar da insonorização do meu carro, mas desta vez vai ser mais a sério, não apenas para ter um som melhor mas para cortar o ruído vindo de fora. Estou a usar produtos como Dynamat Extreme, Brax eXvibration e Focal Plain Chant.

No fim espero ficar com o habitáculo silencioso e assim posso disfrutar do meu sistema de som sem ruídos exteriores, ao mesmo tempo o som deixa de sair do habitáculo e deixo de incomodar os outros com a minha música, se bem que pouco já ouviam porque circulo sempre de vidros fechados, só em locais com árvores e ar fresco é que sabe bem andar de janela aberta.

E se o meu carro de origem que já vem bem insonorizado deixa passar sempre ruído para o interior, nem quero imaginar aqueles pequenos utilitários que é só chapa à volta como o 107 em que andei!

Os meus “brinquedos” novos

Motorgeek - Pinnacle Concours Interior KitRecebi no ínicio de Maio alguns produtos para o interior, entre eles o sistema Leatherique para restaurar a pele e o Concours Interior Kit da Pinnacle encomendado na Motorgeek. Como fiz a aplicação do Leatherique que precisa de ficar alguns dias com o carro quente a fazer efeito de estufa e depois comecei com a insonorização e alguns restauros não dei uso ao kit. No fim de semana passado foi altura de o experimentar, no entanto não usei todos os produtos.

A escova de unhas é excelente para limpar os estofos e esfregar bem a pele para que a sujidade mais entranhada saia toda, o pincel é superior à Meguiars Triple Duty Brush para o interior uma vez que é mais suave para as limpezas mais leves e os restos dos aplicadores Cobra são fenomenais tal e qual como a restante gama de produtos de microfibras deles.

Dos 3 produtos que incluem o kit (Leather & Vinyl Cleaner, Vinyl & Rubber Protectant, Leather Conditioner) ainda só usei o Leather Conditioner porque a pele foi limpa a fundo com o Leatherique e precisava de alguma protecção contra os UV na pele. O cheiro a pele é muito suave e agradável ao contrário do Poorboys Leather Stuff que tem um cheiro demasiado artificial e intenso.

Fiz uma nova encomenda na Motorgeek com um shampoo da Poorboys disponível apenas numa edição limitada uma vez que foi feito para testes, assim que o receber e experimentar deixo aqui a minha opinião.

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