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Mitos antigos sobre automóveis

Portugal é um país caricato na sua cultura automobilística. Quem nunca ouviu falar do homem que inventou o carro que andava a água mas que o Salazar pessoalmente mandou prender? Ou o das bolas de naftalina no depósito que quase duplicavam a potência do carro?

Aqui ficam alguns mitos mais antigos sobre automóveis.

Radares na Via Verde

Via VerdeA Via Verde está rodeada de mitos. Fazer uma chamada ao pé do identificador para não contar portagem, tirar o talão e sair pela Via Verde para pagar o mínimo. São tantos que a Via Verde precisa de fazer desmentidos.

O maior destes mitos foi a instalação de radares por parte da Brisa nos corredores da Via Verde. Foi giro ver em vários fóruns automóveis condutores que passaram a tirar talão em vez de circular a 60km/h no pórtico da Via Verde.

Aconteceu outra situação idêntica quando foi aprovado o sinal de controlo médio de velocidade, e lá veio novamente a história que iam controlar apenas com a Via Verde. A Via Verde Portugal não tem competência legal para tal.

Nokia como detector de radares

Telemóveis NokiaEu não sei o que é pior, se é quem inventa estas coisas ou se quem acredita e vai repetindo a mentira. Bem dizem que uma mentira repetida várias vezes se torna verdade.

A ideia era colocar o Caller Group como 00000 e se estivéssemos perto de um radar o telemóvel tocava.

Sempre fiquei com a pulga atrás da orelha, será que quando o telemóvel tocasse se alguém atendesse se ouvia do outro lado “GNR BT, encoste por favor”?

Os cavalos escondidos dos carros alemães

Banco de potência Sabiam que o vosso TDI de 110cv tem na realidade 350cv? É verdade, os alemães escondem os cavalos por causa dos impostos! Ou pelo menos foi a ideia que alguns tentaram passar e lançar um mito fantástico em torno dos carros alemães e das potências declaradas. Malandros dos japoneses e dos ingleses que não sabiam esconder cavalos!

Bancos de potência mal calibrados e uma falta de noções sobre tolerâncias levaram a este fantástico mito que ainda resistiu alguns anos na Internet. A potência de um automóvel depende de vários factores, e dois motores “iguais” podem ter potências diferentes. Por exemplo, um motor de 100cv pode ter uma tolerância de mais ou menos 5cv pelo que pode sair para comercialização com 105cv ou 95cv.

 

Conhecem mais alguns mitos antigos? Partilhem nos comentários!

Stands de carros usados de confiança

Stand de carros usadosA imagem do vendedor de carros usados nem sempre é a melhor. Existem aqueles vendedores que só dizem tretas e acabam por enganar aqueles que não estão informados.

O nosso mercado automóvel também não ajuda, mas a nossa cultura em Portugal nunca foi muito virada para o automóvel.

Felizmente vão aparecendo alguns casos que rompem com esta má imagem. O primeiro que conheci deste género é a Só Barroso onde colocam as matrículas dos carros visíveis nos seus anúncios. Na página do Facebook ainda colocam fotos do vendedor com o novo proprietário de cada carro que vendem para tornarem os negócios o mais transparente possível.

Outra empresa que me ficou na memória pela positiva foi a CarNext da LeasePlan. Aqui além das matrículas visíveis temos fotos ao número de chassis, do livro de revisões, do DUA, dum medidor digital que mostra o rasto de cada pneu e até colocam algumas setas bem visíveis a mostrar riscos, picadas ou mossas que a viatura possa ter.

Espero que este tipo de empresas venham mudar o panorama nacional do mercado de usados, primeiro da parte dos vendedores que devem ser o mais transparente possíveis, e da parte dos clientes que têm que perceber que um carro usado não é um carro novo mais barato e os negócios da China trazem sempre algo escondido.

Nunca comprei nenhuma viatura a estas empresas, mas gostei da atitude e espero que outros lhes sigam o bom exemplo.

Os carros estão a transformar-se em tablets?

Interior do Tesla SAlguns carros que andam a sair mais parecem tablets com rodas. Onde andam os estudos de usabilidade sobre este tipo de sistemas?

Um exemplo flagrante é o Tesla S onde tudo é controlado por um touch-screen. Se até percebo a utilidade de um touch-screen para ser utilizado na navegação porque é mais fácil para colocar uma morada, já ter controlos do ar condicionado, desembaciador dianteiro e traseiro e até volume de rádio num ecrã plano não me agrada. Felizmente para os 4 piscas ainda existe um botão.

Eu gosto muito do Android, mas como sistema de controlo do meu carro através de um ecrã plano não.

Passamos do 8 ao 80, se dantes tínhamos consolas com muitos botões como era o caso dos Saab (e até no meu C6) agora temos a ausência de botões. A verdade é que com um simples toque consigo fazer várias operações no meu carro sem tirar os olhos da estrada, e isto torna-se impossível com estes novos sistemas que funcionam à base de toques no ecrã. Os botões têm formatos e saliências diferentes para que, através do tacto, seja possível activar uma função na viatura sem tirar os olhos da estrada.

Eu até percebo esta ideia mais minimalista e nalguns carros até fica engraçado (como o 208), mas no Tesla S a própria consola fica feia com um ecrã tão grande e desproporcional.

E se não concordam e até gostam de ter tudo controlado por touch-screen, experimentem escrever uma SMS num telemóvel com teclado e num touch-screen, mas façam-no sem olhar para o ecrã.

É aqui que certos sistemas como o iDrive vencem e, embora confusos, permitem ter um feedback táctil e podemos carregar no botão do iDrive, rodar o botão algumas vezes para saber que escolhemos a opção certa. Não é necessário ficar a olhar para o ecrã e inclinarmos-nos para termos a certeza que tocamos com o dedo na opção certa. O feedback táctil é bastante importante.

Ou será que esta nova filosofia serve para cativar os mais jovens? Segundo alguns estudos os jovens estão a perder interesse pelos automóveis e a investir mais em telemóveis e tablets. A ideia de tirar a carta aos 18 anos está a desaparecer uma vez que em casa conseguem comunicar com toda a gente e preferem usar os transportes públicos para sair apenas até ao centro da cidade.

Eu espero sinceramente que esta seja uma moda passageira e que os carros voltem a ser carros. Faz sentido sim ter tecnologia no nosso automóvel e conseguir comunicar com o nosso carro a partir de casa ou do telemóvel para ver se o mesmo está trancado, carregar favoritos no GPS ou mudar a nossa biblioteca de MP3 a partir de casa, mas remover botões com funções importantes colocando apenas um ecrã táctil não.

A minha lista de carros: Historial automóvel

No Top Gear no segmento SIARPC acho piada à lista de carros que alguns dos convidados já tiveram. Temos aqueles com um historial fantástico como o Jay Kay e outros que tiveram chasso atrás de chasso e de repente passaram para um Porsche ou Ferrari.

Seguindo a mesma ideia partilho então aqui o meu historial automóvel. A minha lista de carros que já tive não é nada de especial, mas aqui fica.

Peugeot 106 XSI

Peugeot 106 XSIO meu primeiro carro foi um 106 XSI de 1995. Comprei-o em Março de 2005 logo após ter tirado a carta, na altura queria um GTI mas não tinha dinheiro para um. Vinha mal tratado, mas era o primeiro carro e como o vi baixinho, com a grelha lisa e as jantes do Saxo Cup fiquei logo rendido. Ainda por cima vinha sem catalisador, sem panela central e com a admissão de troféu do Saxo Cup.

Rapidamente percebi que as alterações que tinham sido feitas só serviam para fazer mais barulho e o carro com a admissão original e o escape completo até tinha mais arranque :lol:

Era um carro muito nervoso de motor mas bastante estável, e depois de lhe colocar uma barra anti-aproximação ficou com a frente bastante incisiva, era só apontar a frente que ele virava para lá. Foi um bom carro para aprender a conduzir, perdoava muita asneira ao volante.

Gastei bastante dinheiro no carro, dava para ter comprado um GTI em condições e depois vendi-o, era um carro muito desconfortável, não tinha ar condicionado e uma viagem de 20 ou 30 quilómetros já me deixavam surdo. Só o tive durante 10 meses e apenas fiz 11.000km com ele. O rapaz que o comprou abraçou-o a uma árvore pouco tempo depois :roll:

Peugeot 406 Coupé

Peugeot 406 CoupéDe um 106 passei para um 406. Este já é conhecido dos leitores mais assíduos do blog, comprei-o a 25 de Janeiro de 2006 com 107.000km (os mesmos que o 106) e vendi-o após 6 anos e meio com mais de 255.000km. Na altura estava à procura de um Celica, mas assim que o conduzi rendi-me.

Este também veio para as minhas mãos com alterações, mas quando o comprei já tinha ideias de o colocar de origem. Tinha uma panela de rendimento e umas jantes de 17″ da Masitaly. Encontrei umas jantes de 16″ do V6 e coloquei a linha de escape de origem.

Levou muito material de manutenção, corrigi vários problemas que o carro tinha, converti-o para GPL, insonorizei-o e melhorei o sistema de som de origem. Serviu ainda de montra para a Loja dos Alarmes com um Easycar instalado com todos os módulos que estavam disponíveis.

Foi um carro onde me fartei de andar, o que gastei em combustível em 6 anos foi tanto como o valor que paguei por ele. Ainda lhe mudei a correia de distribuição duas vezes, uma aos 120.000km e outra aos 240.000km.

Era um carro bastante divertido de conduzir, apesar da sua filosofia ser mais a de estradista. É um carro com umas linhas fantásticas, ou não tivesse sido desenhado pelo Sérgio Pininfarina. Era relativamente confortável e com a insonorização era bastante silencioso. Conseguia ir de Lisboa ao Porto e voltar sem me sentir demasiado cansado.

No entanto era um carro que se começava a revelar pouco prático. As portas eram enormes e ao contrário de um Avantime, sair do carro em lugares apertados era complicado, e se levasse passageiros atrás era sempre chato ter que sair do carro para entrarem. A caixa manual também já começava a chatear em pára-arranca e como as estradas na minha zona não são as melhores o conforto acabava por sair comprometido.

Citroën C6

Citroën C6A muito custo lá larguei o 406 Coupé e fui buscar um carro que sempre gostei. Aliás, sempre que via um na rua pensava “Aquele vai ser o meu próximo carro”. Estava de pé atrás porque só os encontrava a gasóleo mas depois de o experimentar rendi-me, e a 2 de Junho de 2012 lá fui buscar um C6 com 130.700km.

O motor V6 é bastante equilibrado, não tendo vibrações típicas de motores a gasóleo ao ralenti e como o carro até é bem insonorizado não se ouve muito o barulho do motor. É o meu primeiro carro a gasóleo e continuo sem perceber o que os europeus vêm no gasóleo.

Foi um carro que veio em bom estado, antes de o comprar a única coisa que vi que precisava de fazer a mais era mudar os pneus (trazia uns Nexen) e um grande detalhe, porque o carro tinha swirls que se viam à sombra.

É um carro totalmente diferente do 106 e do 406, tem uma filosofia diferente mas adapta-se ao meu uso actual do carro. A suspensão em Sport dá para umas brincadeiras com a caixa em modo sequencial, e até já faço curvas bem mais depressa do que fazia com o 406. Mas o forte deste carro é o conforto.

Acabou por ser vendido com quase 224 mil quilómetros a 17 de Novembro de 2017.

 

Parece que por mais que procure acabo sempre por ir parar aos carros franceses. Quando comprei o 406 queria um Celica, quando comprei o C6 andei de olho no S80 e no GS450h.

E vocês, qual foi o vosso historial automóvel até agora? Partilhem a vossa lista de carros nos comentários e deixem as vossas impressões sobre as máquinas que já tiveram ou que ainda têm.

Filtro de partículas FAP ou DPF Diesel

Filtro de partículas DieselOs carros a gasóleo emitem partículas que estão associadas a doenças respiratórias, cardiovasculares e cancro do pulmão. Estas partículas cancerígenas são emitidas com a fuligem vinda da queima do diesel, o típico fumo preto dos carros a gasóleo.

Uma vez que são altamente nocivas para a saúde pública passou a ser definido um limite máximo de emissões de partículas de 0.005 g/km com a norma Euro V que entrou em vigor em Setembro de 2009.

A única forma de ter um valor baixo é adicionar um filtro de partículas à linha de escape. A PSA Peugeot Citroën foi o primeiro fabricante a colocar filtros de partículas nos seus carros de passageiros em 2000 e, até 2004, várias cidades proibiram a utilização de viaturas pesadas sem filtros de partículas (caso de Tóquio e Nova Iorque).

Se está a pensar em adquirir um carro a gasóleo com filtro de partículas aqui fica tudo o que precisa de saber sobre o filtro de partículas Diesel (FAP/DPF).

O que é o filtro de partículas

O filtro de partículas pode ser denominado de FAP (Filtre à particules) ou DPF (Diesel particulate filter). De forma a evitar a emissão de partículas dos carros a gasóleo este filtro “prende” as partículas e, através de regeneração, queima as partículas a uma temperatura elevada com recurso a metais preciosos transformando-as em CO2, água e cinza, semelhante ao que acontece com um catalisador comum.

Este filtro foi adoptado por vários fabricantes antes de ser obrigatório como a Peugeot, Citroën, Ford (Mazda / Jaguar) para reduzir as emissões de partículas e tornarem a compra dos seus carros a gasóleo mais apelativa graças a alguns incentivos estatais na redução de impostos em viaturas equipadas com FAP.

A renegeração

Erro de filtro de partículas num BMWQuando um filtro de partículas começa a ficar cheio (entre os 55 a 75% de capacidade) é iniciado um processo de regeneração onde é efectuada a queima das partículas no filtro, transformando-as em CO2 e água, deixando alguma cinza no filtro. As partículas queimam a 600º, no entanto com o uso de um aditivo é possível reduzir a temperatura para os 350º a 450º.

O processo de regeneração depende da utilização dada ao carro e pode ocorrer em vários intervalos de quilometragem. Por exemplo, no caso dos veículos PSA e Ford se a utilização for meramente citadina com tráfego elevado a regeneração é feita a cada 200km, se a utilização for sempre em auto-estrada a regeneração ocorre a cada 1500km. A regeneração é efectuada se circular acima dos 50km/h, e não se devem notar diferenças no funcionamento do carro durante este processo, embora alguns condutores verifiquem um trabalhar diferente ou mais vibração do motor durante a regeneração.

Pode acontecer durante o processo de regeneração sentir-se um odor a borracha ou óleo queimado, principalmente se pararmos o carro após a regeneração. Este odor é fruto das altas temperaturas no filtro de partículas.

Caso não seja possível efectuar a regeneração é mostrado um aviso (uma mensagem no ecrã ou uma luz no quadrante) indicando que o filtro de partículas poderá entupir e é necessário andar com o carro durante 5 a 10 minutos acima dos 50km/h para ser iniciada uma regeneração ou recorrer aos serviços da marca para forçarem uma regeneração ou “lavarem” o filtro. Isto depende de carro para carro e é aconselhável verificar o manual.

Se o filtro continuar sem regeneração este irá entupir e é possível que fique danificado e seja necessário proceder à troca do mesmo.

A manutenção

Dependendo do filtro de partículas este poderá ter manutenção ou não. Alguns possuem aditivos que precisam de ser reatestados, outros podem necessitar de ser limpos ou mesmo trocados após alguns quilómetros. Alguns fabricantes indicam uma vida útil estimada dos actuais filtros de partículas entre os 80.000km e os 180.000km dependendo do carro e da sua utilização.

Cuidados a ter com o FAP/DPF

Filtro da bomba de óleo bloqueado num MazdaUm motor a gasóleo é cada vez mais complexo para ter um nível de emissões baixo. A adição de turbos, injectores de alta pressão, válvulas EGR e os filtros de partículas aumentam a complexidade destes motores e a exigência nos cuidados a ter.

Uma das coisas mais importantes num carro com filtro de partículas é o óleo. O óleo deve ter um teor baixo de enxofre (low SAPS) para evitar a criação de fuligem que poderá passar para o filtro de partículas e acelerar o seu bloqueio, podendo até danificar o mesmo. Nalguns casos onde é injectado mais gasóleo para aumentar a temperatura (sistemas sem aditivo) o óleo pode até ficar contaminado com gasóleo, levando-o a perder as suas capacidades podendo danificar vários componentes do motor ou até bloquear filtros de óleo, conforme ilustrado na imagem.

A Total efectuou alguns testes sobre a importância do óleo nas válvulas EGR, mostrando a diferença na acumulação de fuligem e nafta, sendo inferior nas viaturas testadas com óleo low SAPS.

O combustível usado também é muito importante. Deve ter um baixo teor de enxofre e é aconselhável que seja combustível aditivado para melhorar o processo de combustão e evitar a criação de fuligem.

Mas se calhar o ponto mais importante é o tipo de utilização dado ao carro. Se os percursos são maioritariamente citadinos e o carro tem FAP é obrigatório fazer umas tiradas em auto-estrada de vez em quando para limpar a FAP ou então forçar uma regeneração na oficina. Os motores diesel modernos não estão preparados para utilizações intensivas de pára-arranca ou serviço de táxi.

No caso dos carros com FAP e aditivo (Eolys ou semelhante) é aconselhável gastar o gasóleo e voltar a atestar para reduzir o consumo deste aditivo. O aditivo é adicionado sempre que se coloca combustível e colocar várias vezes pouca quantidade de combustível poderá usar aditivo em excesso.

Devo escolher um carro com filtro de partículas?

É necessário fazer contas, dependendo da utilização o filtro de partículas poderá ser uma dor de cabeça e fonte de despesas. A substituição de um filtro de partículas poderá ultrapassar facilmente os 1000 Euro.

Para carros de utilização citadina o ideal é optar por um carro a gasolina, os actuais motores de injecção directa permitem consumos reduzidos com um nível de performance interessante.

Se a utilização for normal, com percursos regulares em estrada aberta em que o motor funcione à temperatura ideal então o filtro de partículas não irá fazer grande diferença e poderá durar a vida útil do carro. É preciso ter atenção no entanto nos carros com aditivo o reatesto é caro e precisa de ser feito por uma concessão oficial ou por uma oficina especializada.

O estudo da Deco é igual ao litro

Renault ClioA Deco nunca teve muita credibilidade nos testes e exames que fazem para vender as suas revistas, mas devo dizer que para Marketing têm algum jeito.

Dizem que compraram 4 carros de forma anónima, que obtém combustível em postos diferentes e colocam 4 pilotos profissionais a percorrer 12.000km para ver se existem diferenças nos combustíveis. No final lançam uma landing page digna de uma campanha viral a pedir para subscrever um abaixo assinado e para se tornar sócio da Deco.

Depois lançam um vídeo que as únicas imagens interessantes é a remoção dos pistons do motor e chegam à conclusão que os combustíveis são iguais.

Lá fora, infelizmente, fazem melhor

Testes aos combustíveis não são novos. A Auto Plus (França) chegou a fazer um teste em laboratório ao gasóleo de várias marcas e encontrou diferenças entre aditivos, o índice de cetano, o poder lubrificante e a criação de espuma.

O Fifth Gear (Inglaterra) efectuou também alguns testes de potência e verificou que, curiosamente também num Renault Clio, não existiam ganhos de potência ao usar um combustível aditivado, já num Golf e num Subaru existia um aumento de potência significativo. Isto volta a mostrar que os combustíveis não são iguais, agora se compensa em todos os carros é outra história.

Por cá já tinham efectuado um suposto teste que comparou os combustíveis dum posto Galp Base (que são Hi-Energy) com os combustíveis dum posto Galp normal (que também são Hi-Energy) e combustíveis da BP, e chegaram à brilhante conclusão que os combustíveis eram iguais, menos a amostra que recolheram na BP que tinha diferenças.

A Deco foi pelo mesmo caminho.

Aprender a fazer testes

Eu até podia aplaudir o teste da Deco se a conclusão fosse outra. Podiam dizer que para um carro de baixa cilindrada ou com pouca potência as diferenças são mínimas e não compensa em termos de consumos o combustível mais caro, mas o teste tinha que ser feito de outra maneira.

Primeiro não podemos usar quatro carros da mesma marca e modelo e dizer que são iguais. O processo de fabrico de um processador para computador é totalmente automatizado em autênticos laboratórios e mesmo assim existem diferenças, imaginem num motor que tem uma componente humana na sua criação. O próprio motor é testado em bancada na fábrica e acusa valores de potência diferentes entre outros motores “iguais”.

Para conseguirmos chegar a uma conclusão precisamos de usar o mesmo carro e o mesmo condutor nas mesmas condições, afinal de contas o que estamos aqui a testar é o combustível. É isto que dá validade por exemplo aos testes do Top Gear, o piloto e a pista são sempre os mesmos e existe uma diferença de tempos conhecida entre uma pista seca ou molhada.

Depois temos que definir o que estamos afinal a testar. Queremos saber se existem diferenças entre os combustíveis? Pedimos a uma entidade independente para fazer a recolha de combustíveis e outra entidade para fazer a análise em laboratório e enviar os resultados. Queremos saber se existem ganhos de potência? Usamos uma célula de combustível e um banco de potência e fazemos alguns testes com os vários combustíveis no mesmo carro, em vários carros de gamas diferentes. Queremos saber se compensa atestar com um combustível mais caro? Fazemos 5 ou 10 depósitos com cada combustível no mesmo percurso com o mesmo condutor e fazemos a média de cada um, com vários carros de gamas diferentes. Queremos comparar as capacidades de limpeza de cada combustível? Aqui sim podemos ter vários carros “iguais” e fazer um teste de longa duração com vários condutores a trocar de carro para que todos sejam sujeitos ao mesmo tipo de condução, mas o carro deve ter sempre o mesmo combustível. E 12.000km não é longa duração, eu faço isso em 5 ou 6 meses e o carro durante a semana deve andar 1 hora por dia.

Ser transparente ajuda à credibilidade

Algo que aprendi é que ser transparente aumenta a nossa credibilidade e confiança. E o teste da Deco não tem transparência nenhuma. Tinham ali material para fazer um episódio digno do Mythbusters, onde podiam mostrar a recolha dos combustíveis, o abastecimento e a troca de condutores, mostrar as válvulas e pistons de todos os motores, identificando claramente o motor 1, 2, 3 e 4. E deviam ter usado também combustível da BP e da Repsol.

Foi uma oportunidade perdida pela Deco para informar de forma isenta os consumidores, mas foi uma boa estratégia de Marketing. Dizer o que os consumidores querem ouvir e depois pedir os seus dados para os bombardear de publicidade mais tarde e tentar obter mais um associado ;)

Eu sempre o disse aqui, existem diferenças entre combustíveis. Agora se realmente compensa isso já é outra história. Eu sempre verifiquei que a gasolina da Galp me dava menos rendimento que a da BP e da Repsol, no gás o da BP e da Galp eram uma miséria (até acendia a luz do motor), gasóleo nunca testei. Agora tudo isto depende de carro para carro.

No Smart da minha namorada, sem ela saber, já lhe fiz este teste e como sou eu que abasteço acabo por fazer a média entre depósitos e verifiquei que com gasolina aditivada o consumo era inferior mas não compensava a diferença de preço. No 406 Coupé a história já era diferente e compensava realmente o combustível aditivado. Já com o C6 que é a gasóleo não compensa monetariamente em termos de consumos e não noto diferença em termos de potência, mas nota-se o motor a vibrar quando não tem combustível aditivado e consigo sentir quando a FAP está a fazer a regeneração.

Cada caso é um caso e depende muito do carro, da sua utilização e tipo de condução praticados, pois não compensa para toda a gente. E isto é muito diferente de dizer que todos os combustíveis são iguais.

Combustíveis “low cost” obrigatórios

Preços num posto Galp BaseOs legisladores nacionais não percebem muito de combustíveis nem de automóveis, basta ver as atrocidades com a lei que regula o GPL nos automóveis, os benefícios dados a um combustível poluente (gasóleo) e as tabelas do antigo selo.

Agora, e segundo a notícia avançada pelo Jornal de Negócios o governo quer obrigar a que uma em cada cinco mangueiras nas bombas seja reservada a combustíveis não aditivados.

Pessoalmente sou contra esta medida que apenas vai causar mais confusão aos consumidores. Já não basta os postos de abastecimento que numa ilha têm SC98 e noutra já só têm SC95, sem falar dos postos Galp com os Geforce 95 e 98. Se adicionarmos a isto um combustível não aditivado passamos a ter ilhas com SC95, Gasóleo, SC95 não aditivado, Gasóleo não aditivado e outra coisa qualquer? Ou vamos ter uma ilha com 4 produtos normais e depois os não aditivados vão andar espalhados pelas ilhas de abastecimento?

E os custos destas alterações (sim, vai ser o consumidor a pagar) vão ser suportados por quem utilizar estes combustíveis não aditivados ou por quem já consome os outros combustíveis?

Este tipo de medidas para fazer baixar os preços dos combustíveis normalmente corre mal, como é o exemplo dos placares com preços nas Auto-Estradas que levou a que os preços fossem iguais em todas as bombas ou a adição de biodiesel ao gasóleo que aumentou o preço deste e levou a um aumento indirecto do preço dos cereais.

Pessoalmente acho que o mercado se regula bem. O problema não é o tipo de produto vendido mas sim os aumentos constantes sem descidas de preço a condizer. O aumento de postos low-cost levou também a que os outros postos adoptassem descontos de fim-de-semana e cartões de desconto. Uma boa medida seria sim simplificar o processo para a abertura de um posto de abastecimento e se calhar dar um beneficio adicional a quem abrir postos low-cost.

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