Tecnologia sem sentido nos automóveis novos
Ao ver um programa da NBC sobre o salão de Detroit fiquei a pensar que estamos a usar tecnologia sem sentido nalguns automóveis. O programa era terrível, só falavam dos carros americanos e parecia que estavam a debitar as press-releases. O que me chamou a atenção foi os equipamentos que estes carros agora trazem.
Qualquer carro tinha como novidade os LCD’s e touchscreens, ter chamadas de mãos livres, rádios com comando por voz e por aí fora.
Um carro com um ecrã de 7″ pode ser interessante, mas não é como touchscreen. Já experimentaram manusear um telemóvel touchscreen sem estar a olhar para ele? Quando tinham teclas eu até escrevia SMS sem olhar para o telemóvel, tal como estou a fazer agora enquanto estou a escrever, não olho para o teclado.
Então num carro ter um touchscreen para controlar tudo e mais alguma coisa é contraproducente. Pior mesmo só um concept que apresentaram que até os controlos para abrir e fechar os vidros eram por touchscreen. Eu abro os vidros do meu carro sem procurar pelo botão e quando lá tenho o dedo o meu tacto diz-me se estou a controlar o vidro certo e sei que tipo de movimento tenho que fazer para abrir ou fechar o vidro. Numa altura que os filmes em 3D estão na moda queremos passar para controlos em 2D.
Preocupa-me um pouco que um carro, onde precisamos de ter os olhos na estrada, comece a ser operado por touchscreens a torto e a direito. Faz muito mais sentido um sistema como o iDrive da BMW ou o MMI da Audi. Embora sejam complicados de usar ao início têm um feedback em termos de tacto que um touchscreen não tem e não nos obriga a inclinar para o meio do carro para carregar numa opção. E se o iDrive já tem as criticas que tem, imaginem sistemas totalmente touchscreen.
Mas lá está, no programa só falaram de carros dos 3 grandes de Detroit, pode ter sido esse o problema.
Gasóleo já só custa menos 9 cent/litro
A diferença de preço por litro entre o gasóleo e a gasolina encontra-se nos 9 cent/litro de acordo com os dados do Mais Gasolina, e ainda faltam algumas petrolíferas actualizarem os preços nas bombas, o que deve acontecer amanhã e quarta-feira.
Voltamos assim aos mesmos valores de Junho de 2008, e com as actualizações de preços adicionais provavelmente a diferença de preços ficará ainda mais reduzida. Na Galp por exemplo a diferença é de apenas 7,5 cent/litro e o preço do gasóleo Gforce encontra-se mais alto que o preço da gasolina de 95 octanas.
Caso a proposta europeia de nivelar os impostos entre gasolina e gasóleo o preço deste poderá disparar ainda mais, uma vez que o gasóleo sem impostos é mais caro que a gasolina.
Espero que tenham aproveitado as promoções deste último Domingo para atestar os vossos carros.
António Costa, não percebes nada disto pá!
Hoje vi uma notícia na Sic que também está no Expresso onde o presidente da Câmara de Lisboa (António Costa) quer criar uma sobretaxa sobre os combustíveis nas bombas de Lisboa. Isto para obter receitas para financiar os transportes públicos e reduzir a utilização do carro nas cidades.
Os nossos políticos nunca foram muito inteligentes no que toca a transportes, especialmente rodovias. Passadeiras em cruzamentos ou em entradas de auto-estrada (sim, sim!), passadeiras em lomba, radares de 70km/h em vias com três e quatro faixas e sem tráfego pedonal… Aquilo a que os automobilistas já estão habituados.
Agora uma sobretaxa nos combustíveis nas bombas de Lisboa? E se eu abastecer fora de Lisboa e for para lá todos os dias? E se eu morar em Lisboa e meto gasolina ao fim-de-semana para sair da cidade? É uma ideia parva e só vai fazer com que as bombas em Lisboa encerrem, mas como existe muito emprego não faz mal, o pessoal sai de uma bomba e vai logo trabalhar para outra.
O problema dos transportes públicos é outro. Porque razão levam as pessoas o carro para o trabalho? Pode ficar mais barato ou ao mesmo preço do passe, não existem horários incompatíveis, é mais cómodo, seguro e pode até ser mais rápido. E o melhor de tudo, o carro não faz greve porque vamos passar a por gasolina mais barata para combater a crise.
Os transportes dão prejuízo, mas eu vejo os autocarros durante a hora de ponta sempre cheios. Se calhar deviam pensar era como tornar a rede de transportes mais eficiente e não prejudicar quem não os utiliza.
É um pouco como termos uma escolha entre morangos e limões para sobremesa. Todos querem morangos. Vamos tornar os limões mais doces e apetitosos? Não, não, vamos aumentar o preço dos morangos e obrigar toda a gente a comer limões para sobremesa…
Button ganha a corrida, Vettel campeão em Suzuka
O resultado já era esperado e só com muito azar é que o Vettel podia perder o campeonato. Sagrou-se assim pela segunda vez campeão e é apontado por muitos como o sucessor em termos de vitórias a Schumacher. No entanto hoje verificou-se que ele é um piloto muito nervoso e um pouco agressivo quando não está em primeiro lugar.
Button ganhou a corrida, após um inicio atribulado com Vettel. Com os resultados da classificação esta corrida tinha tudo para ser emocionante e não desapontou. A Formula 1 está mais animada e os fãs agradecem.
Tive pena do resultado obtido pelo Kobayashi, já o Hamilton continua a cometer os mesmos erros e curiosamente sempre com o Massa.
E é já no próximo fim-de-semana o GP da Coreia.
Cinco razões para não usar os piscas
Os piscas são uma daquelas funcionalidades de um carro que estão a cair em desuso. E este fenómeno não é restrito só a Portugal, noutros países também ocorre esta situação.
Se são o tipo de condutor que pensa que os piscas só servem para estacionar o carro em qualquer local então não vão perceber a ironia deste post.
Decidi então obter uma lista de cinco razões para não usar os piscas do carro
1 – Privacidade
Ninguém tem nada que saber para onde vou, portanto não preciso de fazer pisca. Era o que mais faltava estar a indicar aos outros condutores que vou para a direita. Assim até ajudo a combater a monotonia na estrada, acaba por ser uma emoção eu virar de repente sem avisar o condutor de trás. Alguns até agradecem com uma buzinadela e fazem um gesto com o dedo a agradecer, vejam lá!
2 – Poupar energia
Com a crise que se faz sentir o lema do dia é poupar. Todos sabemos que no final do mês aparece em casa na conta da electricidade o custo de utilização dos piscas, e a electricidade está bem cara! Assim até ajudamos a poupar o ambiente porque reduzimos as emissões e tudo!
3 – É um extra caro
Ora quero uns piscas sem utilidade no meu carro ou um sistema de navegação? Venha de lá o GPS que sempre tem mais uso que os piscas.
4 – É difícil fazer muita coisa ao mesmo tempo
Olhar para a estrada, meter os pés dos pedais, rodar o volante, meter mudanças… Isto de conduzir é muito complicado, já tenho muita coisa para fazer não posso estar a fazer piscas. Quer dizer, se tenho que fazer pisca perco tempo e quando dou por mim já passei aquele lugar bem jeitoso à porta do café.
5 – O tuning é proibido
Eu vi imensas reportagens na SIC e fiquei a saber que o tuning é crime, e uma coisa que esses tunings fazem é ter luzinhas que piscam. Ora, vou eu usar piscas? A polícia ainda me apreende o carro porque tenho uma alteração ilegal. Ou então ainda me confundem com alguma ambulância.
Se tiverem mais alguma razões (irónicas, claro
) para não usar os piscas partilhem nos comentários.
Guia da insonorização automóvel
Um carro sem ruídos parasitas e devidamente insonorizado transmite uma sensação de conforto superior a outro carro. A sensação de passar num buraco é totalmente diferente quando não existe nenhum ruído associado ou quando parece que o carro se vai desmontar, apesar da força da pancada ser igual.
A ausência de ruídos aerodinâmicos, assim como ruídos externos de rolamento dos outros veículos ou dos seus motores transmite uma sensação de luxo e conforto fenomenal. Não é por isso de estranhar que várias marcas invistam na insonorização das suas viaturas de topo. E a marca de topo em insonorização é a Rolls-Royce.
O processo inicia-se sempre com testes em túnel de vento para identificar e atenuar os ruídos aerodinâmicos de uma viatura e no final opta-se pela aplicação de material que forneça massa à chapa ou mesmo pela adopção de vidros laminados ou duplos para reduzir os ruídos aerodinâmicos.
Mas, ao contrário de um Rolls-Royce, existem compromissos monetários noutras marcas que fazem com que não se invista tanto na insonorização. Nestes casos podemos nós iniciar os trabalhos de insonorização para o tornar o nosso carro mais confortável e silencioso, e se forem adeptos do car áudio então as melhorias ainda são mais notáveis.
O meu carro é até bastante silencioso tendo em conta o ano do projecto e a tecnologia disponível na altura. É até mais silencioso que outros carros do mesmo segmento lançados posteriormente. No entanto sempre quis ter um carro que ao fechar a porta deixasse de ouvir o que se passa lá fora e com a insonorização (que ainda não se encontra terminada) consegui isso, e melhorei bastante o rendimento do meu sistema de som. No antigo site do meu 406 Coupé tinha todas as etapas da insonorização acompanhadas de fotografias. Decidi assim partilhar aqui o know-how que adquiri durante este processo para quem se deseja iniciar nestas lides.
Identificar as fontes de ruído num automóvel
Existem 3 fontes principais de ruído num automóvel: o conjunto motor/escape, o ruído de rolamento e o ruído aerodinâmico.
Estão a pensar que o ruído de rolamento e o ruído aerodinâmico são a mesma coisa, mas apesar de ambos aparecerem com a viatura em movimento combatem-se de formas distintas.
Mas vamos por partes. Antes de enchermos o carro de material para insonorização devemos confirmar se não é possível atenuar estes ruídos de outra forma. Se o nosso carro faz barulho porque tem uma fuga de escape devemos corrigir essa fuga e não insonorizar o carro para atenuar esse ruído.
No caso dos ruídos de motor e escape devemos ter em atenção se não temos nenhuma fuga de escape e se os apoios do escape estão em condições. O mesmo se aplica aos apoios do motor para reduzir vibrações para o habitáculo. Devemos também verificar se o motor está a trabalhar devidamente afinado. Um motor com as revisões em dia e a funcionar em condições vai produzir menos ruído do que um motor desafinado.
No ruído de rolamento podemos verificar se os pneus estão em condições e optar por uns pneus mais silenciosos. Pneus de turismo aconselham-se, devemos fugir de pneus com piso em V para evitar ruído de rolamento muito presente. Devemos também ter em mente se os rolamentos se encontram em condições, se as jantes estão devidamente calibradas, a direcção alinhada e a pressão dos pneus é a correcta.
No caso dos ruídos aerodinâmicos temos pouco espaço de manobra porque depende muito da concepção da viatura. Devemos no entanto verificar o estado das borrachas, e aqui o Gummi Pflege da Einzett faz maravilhas para restaurar e manter as borrachas em condições. Devemos ainda verificar se as nossas portas estão afinadas e a fechar correctamente.
Material a usar e as suas aplicações
Existe muito material à venda para insonorização. Em vários fóruns vêm-se aplicações de placas de alcatrão normalmente utilizadas na construção civil, mas este material além de pesado tem um cheiro incomodativo e tem tendência a descolar. É barato, mas não foi feito a pensar na aplicação no automóvel.
Eu aconselho a utilização de material de qualidade feito a pensar em automóveis. Uma insonorização não é feita com a poupança em mente mas sim com resultados. Se querem fazer uma insonorização sem gastar dinheiro então aconselho que não o façam porque se vão arrepender.
No meu caso usei apenas material da Dynamat e da Brax, mas existe também a Second Skin com material de insonorização de elevada qualidade, tão bom como Dynamat.
Falando da Dynamat, usei o Extreme e o Dynaliner. O Dynamat Extreme é uma placa de butil e alumínio, é auto-adesiva e bastante maleável. Pode ser cortado com facilidade com uma tesoura forte e é relativamente leve e não deita qualquer cheiro, mesmo durante o Verão com o calor intenso. A aplicação é simples, basta limpar bem a chapa para garantir uma adesão perfeita e passar com um rolo por cima para retirar qualquer bolha de ar que possa ficar durante a aplicação e garantir um contacto a 100% com a chapa.
Estas placas dão massa à chapa, ou seja, tornam-na mais rija reduzindo vibrações e criando uma barreira para o ruído (especialmente graves) e para o calor. São o primeiro passo numa insonorização e é aqui que se notam mais resultados. Podem ver no vídeo em baixo a diferença entre um painel insonorizado com Dynamat Extreme e um painel sem insonorização.
O Dynamat Dynaliner deve ser colocado por cima do Extreme. É um material esponjoso, extremamente leve e é mais eficiente a absorver ruídos agudos. É também útil para evitar ruídos parasitas em algumas situações. Este material é resistente a água e óleo e pode ser aplicado em qualquer local.
Usei ainda o Brax eXvibration que é um produto viscoso que deve ser aplicado com uma trincha ou à pistola e que é ideal para todos os locais onde aplicar Dynamat Extreme não é viável. Cheguei a fazer alguns testes aplicando o eXvibration no topo do Dynamat mas os resultados não compensam o tempo de aplicação daquele produto. Utilizei-o no entanto com óptimos resultados nos plásticos das cavas das rodas e nos painéis interiores de plástico.
Um bom local de aplicação será por baixo do carro, sobreposto por um anti-gravilha mas aqui é necessário ter um elevador ou colocar o carro sobre 4 preguiças e fazer esta operação com muito tempo e paciência.
Para locais de contacto de plástico com plástico ou com tendência a criar ruídos parasitas usei fita de tecido da Würth. Se encontrarem fios em contacto com a chapa ou plástico é boa ideia isolar os mesmos com fita de tecido.
De todo o material que usei apenas um não era indicado para automóvel. Tratou-se de uma espuma de polietileno de baixa densidade utilizada normalmente para soalhos flutuantes, mas tem uma capacidade de absorção de frequências altas interessante e resiste a temperaturas bem superiores às que se fazem sentir num carro num dia de calor intenso. Esta espuma foi usada apenas para
encher painéis que são ocos para evitar a propagação de ruído pelo habitáculo.
Métodos e verificações antes de iniciar a insonorização
Eu aconselho a iniciar uma insonorização por partes. O ideal será mesmo insonorizar por exemplo as portas e os pilares A para ganharmos alguma experiência em locais de aplicação diferente. Devem então montar tudo e circular com o carro uns dias para verificar se as guarnições estão de forma sólida no seu local e se não existem ruídos provenientes das operações que efectuaram. Após este passo podemos então fazer tudo de uma só vez.
Se não tiverem essa possibilidade podem fazer a insonorização totalmente por partes, embora seja mais trabalhoso porque vai ser necessário montar e desmontar as mesmas guarnições várias vezes.
Sempre que desmontamos uma guarnição de uma porta ou outro tipo de painel devemos aplicar molas novas (se estas forem de plástico) e verificar se os parafusos se encontram em condições. Desta forma garantimos que estas ficam fixas e não vão produzir ruídos parasitas.
Se acham que o vosso carro não tem ruídos parasitas esperem até iniciarem uma insonorização. Conforme vão reduzindo o nível de ruído no interior do carro vão aparecendo ruídos parasitas que se encontravam camuflados porque o volume do ruído exterior abafava este som.
É por isso importante, sempre que iniciamos uma insonorização, ter em mente que componentes do habitáculo podem produzir ruídos e vibrações. Por exemplo, se formos insonorizar a consola central e verificarmos que o cinzeiro do carro assenta em plástico, é uma boa ideia aplicar fita de tecido na área de contacto para evitar posteriores ruídos.
Outra ideia é aplicar espuma ou material esponjoso que consiga absorver vibrações quando exista espaço para tal.
Ao colocarmos uma guarnição novamente no local devemos também ter em atenção que esta fica presa de uma forma sólida. Deixo no entanto um aviso, dum erro que fiz na minha insonorização. Os parafusos querem-se fixos sem qualquer movimento, as molas que prendem as guarnições já não funcionam da mesma forma. Estas devem ter sempre alguma margem de manobra para se movimentar, caso contrário com as vibrações a que está sujeito o automóvel (principalmente em piso degradado) as molas vão acabar por ceder por não terem possibilidade de se mover.
Algo que é de extrema importância e espero que tenham isto em mente se iniciarem uma insonorização: Um carro não é estático e tem partes que se movem. Elevadores de vidros, fechaduras, etc. Sempre que aplicamos material de insonorização devemos ter em atenção que não vamos interferir com estas partes móveis. Também precisamos de ter em conta parafusos, rebites e até buracos na chapa que são usados para acesso a outras áreas. A insonorização vai ter mais resultados se taparmos tudo e mais alguma coisa, mas no futuro poderá sair caro se for necessária uma intervenção na viatura.
Devemos também ter em atenção o espaço entre a guarnição e a chapa e não devemos aplicar material muito espesso onde não existe margem de manobra. Ao colocarmos as guarnições no sitio estas ou não entram ou entram forçadas e o mais provável é acabarem por saltar. Vi um caso destes num fórum onde vários utilizadores estavam a partilhar as suas experiências em insonorização.
Primeiro passo: Portas
O primeiro local a iniciar uma insonorização são as portas do carro. É aqui que vão notar mais diferenças porque estão sentados ao lado delas, embora os ouvidos estejam a um nível superior, mas lá chegaremos.
As portas de um carro normalmente têm duas áreas de chapa, uma interior e outra exterior. Em ambas devemos aplicar material como o Dynamat Extreme para garantir os melhores resultados possíveis, especialmente para melhorar o rendimento do vosso sistema de som. A porta deve ser toda cobertura de cima a baixo.
Após aplicar as placas de butil na chapa da porta é também aconselhável aplicar este material nos elevadores dos vidros para evitar vibrações.
Se tiverem um bom sistema de som é uma boa ideia aplicar material que evite a ressonância do som nas portas e a distorção. No meu caso apliquei Focal Plain-Chant e tive uma melhoria interessante no médio-grave. A Dynamat tem o Dynaxorb que é semelhante.
Temos agora as nossas portas insonorizadas, especialmente para ruídos graves. Devemos então aplicar por cima do butil material esponjoso como o Dynamat Dynaliner de forma a reduzir também ruídos agudos. É boa ideia, se existir espaço, aplicar este tipo de material no interior das guarnições da porta pois ajudam a reduzir ruídos parasitas e criam mais uma barreira para ruído.
Após terminarem esta operação coloquem tudo no sitio e vão dar uma volta para verificar as diferenças e vão ver que não querem outra coisa.
Bagageira
Após a insonorização das portas, aconselho a insonorização da bagageira na totalidade. O piso, as laterais e a tampa da bagageira são locais que deixam passar muito ruído porque a carpete é menos espessa que no habitáculo e por ser uma área aberta o som propaga-se rapidamente.
No piso da bagageira aconselho mesmo a aplicar duas camadas de butil no local onde se encontra o escape para cortar calor e ruído proveniente da última panela. O Dynaliner de que tenho falado não é aqui muito útil, apenas nas laterais da bagageira. Para utilizar no piso da bagageira o aconselhado será o DynaPad que é vocacionado para frequências graves.
Normalmente esta é uma parte onde a aplicação é simples porque a chapa tem tendência a ser lisa nesta área para maximizar o espaço de carga. É também nesta área onde se encontra material insonorizante aplicado de origem, mesmo em viaturas com uma construção mais simples.
Se tiverem som no vosso carro e caso tenham na bagageira um subwoofer ou umas colunas que movam bastante ar vão verificar uma melhoria interessante nos graves.
Caso tenham um carro de duas ou quatro portas com uma chapeleira em metal, como é o meu caso, devem insonorizar a mesma para reduzir vibrações. Nesta área a chapa costuma ser bastante mais fina que no resto do carro por não ser um componente estrutural, daí que seja aconselhável aplicar duas camadas de Dynamat Extreme.
Piso do habitáculo
O piso do habitáculo é uma área onde ainda não terminei a insonorização, no entanto já apliquei material nalgumas áreas e deu para efectuar alguns testes e comparar resultados. O ideal aqui é a aplicação de Dynamat Extreme para dar massa à chapa e cortar as frequências graves que vêm da linha de escape e do ruído de rolamento. Se existir espaço para tal devem ser aplicadas duas camadas, especialmente onde os passageiros colocam os pés para que sejam anuladas as vibrações do chassis que são transmitidas para o nosso corpo.
Tal como na bagageira o aconselhado para aplicar por cima do Extreme será o DynaPad que é vocacionado para frequências graves.
Se tiverem a possibilidade devem também insonorizar a firewall que ajuda a reduzir não só o ruído do motor mas também ajuda a atenuar o ruído de rolamento e torna o habitáculo mais fresco.
Pilares
Após insonorizarmos as portas, a bagageira e o piso do habitáculo as reduções de ruído vão começar a ser menos perceptíveis. Por outro lado os locais de entrada de ruído vão ser mais localizados, e possivelmente vão verificar que os pilares têm um elevado ruído aerodinâmico. Devemos aqui fazer uma aplicação semelhante à efectuada nas portas, com Extreme aplicado nas várias camadas de chapa e por fim Dynaliner para bloquear as frequências agudas criadas pelos ruídos aerodinâmicos, aplicando-o também nas guarnições.
Se tiverem acesso a algum tipo de espuma como a espuma de polietileno podem encher os pilares para evitar a propagação do ruído. Nunca usem espuma de poliuretano para estas aplicações, esta vai expandir e ficar rija e se for para algum local indesejado vai ser complicado remover a mesma. A sua expansão pode até danificar os pilares da viatura e a sua capacidade de absorção de ruído não é ideal.
Tejadilho
Se são adeptos de sound quality e prezam o palco sonoro do vosso sistema então a insonorização do tejadilho vai-vos deixar bastante satisfeitos. Eu notei um palco mais presente e definido com uma dinâmica mais apurada.
Se fazem muita auto-estrada também vão notar uma redução do ruído aerodinâmico, especialmente em dias de chuva. O meu maior espanto foi mesmo ao pé do aeroporto de Lisboa ter o ruído dos aviões a entrar apenas pelos vidros.
No tejadilho devemos aplicar pouco material, basta uma camada de Extreme para dar massa à chapa e uma camada de Dynaliner para cortar as frequências agudas.
Capot
Agora que o habitáculo está totalmente insonorizado devemos passar a insonorização para o exterior da viatura para evitar que os ruídos se propaguem. Um bom local para começar será o capot para evitar que o barulho do motor invada o habitáculo através do pára-brisas.
Volto a frisar que é bastante importante utilizar material desenvolvido para aplicação em automóveis devido às elevadas temperaturas que se fazem sentir nesta área.
No meu caso apenas apliquei uma camada de Dynamat Extreme por baixo da cobertura original que já fornece uma protecção térmica e atenua o ruído do motor. Podem aplicar duas camadas ou remover a protecção original e aplicar Hoodliner, mas eu preferi manter o aspecto original e permitir que algum barulho do motor entre no habitáculo porque gosto de trocar as mudanças por ouvido, porque quando tenho a música mais alta não oiço o motor e às vezes lá dou por mim com o carro a morrer.
Cavas de roda
O ruído de rolamento das cavas de roda é bastante incomodativo e fica muito presente, principalmente em piso degradado ou com um alcatrão de qualidade inferior. Tal como indiquei no inicio o ideal é ter uns pneus com baixo ruído de rolamento, é por isso que optei pelos Michelin Primacy HP.
No entanto apliquei Brax eXvibration no interior das protecções plásticas das cavas da roda. Se tiverem espaço para isso o ideal é aplicar Dynamat Extreme no exterior do carro nas áreas de chapa que dão para o habitáculo. É algo que não fiz, confesso, mas estou tentado a aplicar algum Dynamat naquela área porque fica protegido dos elementos.
Resultados no 406 Coupé
No meu carro, apesar da insonorização ainda não estar terminada consegui reduzir cerca de 15dB no nível de ruído no habitáculo. Posso circular em auto-estrada e falar normalmente com os passageiros sem ser necessário elevar a voz. O carro ficou mais pesado, deve ter em material de insonorização cerca de 30kg a mais, mas está mais sólido e o conforto é totalmente diferente.
Noto quando ando noutro carro a quantidade de ruído que invade o habitáculo, especialmente em auto-estrada.
Em termos de conforto térmico existem diferenças também, mas não são tão notórias. Na bagageira notava a área da última panela sempre quente e agora encontra-se fresca, e no capot após uma viagem grande está apenas morno, enquanto que anteriormente ficava bem quente. No Smart da minha namorada apliquei Dynamat Extreme na cobertura do motor por esta razão, para evitar que o calor passasse para a área da bagageira que também aquecia bastante e as diferenças notam-se bem ao toque.
Se tiverem algumas dúvidas ou sugestões podem deixar um comentário que terei todo o gosto em vos responder. Infelizmente não posso é dar opinião sobre produtos que não experimentei, daí que tenha partilhado a minha experiência apenas com os produtos da Dynamat e da Brax.
Autocolantes Bebé a Bordo
Conta a história que os autocolantes com a mensagem bebé a bordo apareceram para que os outros condutores tivessem mais atenção com o carro que segue à sua frente porque lá circulam crianças. Que isto tenha sido iniciado por uma empresa que vende autocolantes, isso já é outra história
Mas faz-me confusão como é que isso resolve alguma coisa. Se eu vou ter um acidente não vou escolher em que carro vou bater, senão não era um acidente. Ou será que antigamente os condutores batiam no carro da frente por desporto? Até os Simpsons satirizaram este autocolante com o episódio “Homer’s Barbershop Quartet”.
Mas o que não percebo mesmo é se este autocolante é suposto alertar que existem crianças e pedir uma condução cuidada, porque vejo lunáticos a conduzir com este autocolante atrás, e certas mães e pais com o seu rebento no banco de trás a velocidades “interessantes” e a fazer zigue-zague entre o transito?
A minha namorada no entanto explicou-me. O autocolante está mal colado, não devia estar no vidro de trás mas sim no vidro da frente para lembrar a quem vai a conduzir que tem lá uma criança dentro.
Como o Vitinho já passou de moda estes autocolantes não continuaram a sua proliferação, embora existam empresas que os vendam. Ou será que autocolante servia para dizer “eu tenho uma criança”, tendo sido substituído pela sempre permanente cadeirinha de bebé no banco traseiro?
