Como é conduzir um Opel Ampera? Análise após 10.000km

O ano passando vendi o Citroën C6 e passei para um Opel Ampera, o qual fui buscar à Holanda. Não é o total oposto, mas quase. É o meu primeiro carro E-REV, plug-in, híbrido ou como o queiram chamar.

Começou com uma viagem da Holanda para Portugal, já fiz várias viagens em território nacional e após 10.000km de uso tenho informação suficiente para partilhar com quem pretende aventurar-se no mundo dos carros plug-in.

Opel Ampera após 10.000km

Antes de mais devo dizer que sou e continuo a ser um petrolhead. Os motores atmosféricos a gasolina continuam-me a fascinar por terem uma utilização agradável, serem silenciosos e com poucas vibrações. A única razão para ter o C6 a gasóleo foi que queria mesmo um C6 e não encontrei nenhum nacional a gasolina. É claro que por outro lado também estou sempre à procura do máximo silencio e conforto dentro de um carro, para mim o ideal era um Wraith ou Ghost para a semana e um GranTurismo para o fim-de-semana.

Mas se queremos silêncio e ausência de vibrações um motor eléctrico é imbatível, e como não tenho ainda dinheiro para a manutenção de um Maserati decidi-me pelo Ampera que é parecido…

O modo de funcionamento do Ampera

O Ampera é um E-REV, ou seja, um carro eléctrico com um extensor de autonomia. A diferença para os restantes híbridos plug-in ou eléctricos com extensor de autonomia é que enquanto existe bateria o motor não liga, circule-se à velocidade máxima ou com o ar condicionado no máximo.

O motor eléctrico tem 150cv, mas acabando a bateria a performance continua igual. Isto é possível porque apesar do motor a gasolina ter apenas 85cv existe sempre uma reserva da bateria que é usada e reposta pelo motor quando são necessários todos os 150cv. Isto quer dizer que mesmo sem bateria a performance continua inalterada.

Esta reserva também é responsável pela durabilidade da bateria neste carro em especifico. No meu caso, modelo de 2012, a bateria tem capacidade de 16 kWh mas apenas 10.4kWh estão disponíveis, ou seja, a bateria nunca é carregada a 100% nem descarregada aos 0%. Regra geral uma bateria tem uma durabilidade superior quando a carga é efectuada entre os 20% e os 80% e o Ampera faz este tipo de gestão de forma conservadora, o que aliado ao controlo térmico da bateria (é arrefecida a água) faça com que existam carros destes com quilometragens elevadas sem terem perdido capacidade da bateria.

Motor e bateria do Ampera

Performance e condução

Não é nenhum pocket rocket nem nada que se pareça. Faz 9 segundos dos 0 aos 100 e está limitado aos 170km/h por causa da caixa de velocidades. O maior problema dos carros eléctricos é o peso, e este pesa mais de 1700kg.

Como contrapartida as baterias estão sempre no piso do carro e numa zona intermédia que permitem ter uma boa distribuição de pesos e um centro de gravidade baixo, o que torna o carro interessante de conduzir. A suspensão tem uma boa afinação em termos dinâmicos mas é bastante confortável. Nada se compara ao C6, é claro, mas para um carro com amortecedores e molas está muito bom.

Autonomia eléctrica

Leram a parte de ser um petrolhead? Bem, também continuo a gostar de conduzir e não tenho paciência para conduzir como outros condutores de carros eléctricos. Continuo a circular a velocidades normais em auto-estrada e em nacional e ando com a pressão dos pneus para conforto e o ar condicionado sempre ligado.

A autonomia depende de vários factores, o maior é o estilo de condução, mas também a temperatura ambiente e a velocidade. Se num carro a gasolina circular a 120km/h permite melhores consumos, já no Ampera em pára-arranca temos mais autonomia. E se num carro a gasolina perder 5km de autonomia por causa do frio não faz grande diferença, num carro com uma autonomia limitada já faz diferença.

No Ampera em auto-estrada a 140km/h posso fazer 45km em modo eléctrico, já em cidade facilmente se chega aos 60km porque se usa menos bateria a velocidades mais baixas e o carro vai regenerando energia que seria perdida em descidas ou a travar. A minha média anda nos 55km em utilização mista com auto-estrada, e o melhor que consegui foram perto de 70km com os últimos 10km feitos em ritmo de passeio. Mas isto sou eu.

A Opel anuncia uma autonomia entre os 40 e 80km, existe quem faça mais, mas em condições favoráveis. Também existe quem faça 3,5l/100km num Prius, mas se consultarmos o Spritmonitor vemos que a média é de 5,2l/100km. É algo a ter em conta, com este ou qualquer outro carro.

Custos em modo eléctrico

A pergunta que mais me fazem é quanto custa carregar um carro eléctrico. O Ampera apesar de ter 10.4kWh úteis não é 100% eficiente a carregar, nenhum carro ou outro equipamento eléctrico o é. Existem sempre perdas e o valor adicional consumido pelo sistema de aquecimento / arrefecimento da bateria. Para um carregamento total da bateria normalmente consome 11.5kW, carregando no horário de vazio tenho o preço de €0.107 por kW (já com IVA), ou seja, €1,23 por carga para fazer cerca de 60km.

Isto dá um custo de aproximadamente 2 cêntimos por quilómetro, 7 cêntimos é o custo por quilómetro de um carro a gasóleo que faça 5l/100km. Para 10.000km são 500 Eur de diferença, se estivesse a pagar a electricidade. Como tratei da importação e a matrícula era do ano a que aderi ao plano de Mobilidade Eléctrica da EDP tenho 10 meses em que me é dado um crédito de 40 Eur em electricidade, adicionando a isso os carregamentos gratuitos na Mobi.e (quando funcionam) até hoje paguei zero de electricidade, só gasolina.

Nestes valores não estou a incluir o valor de aumento de potência ou aluguer do contador porque é o mesmo contador da casa com o mesmo nível de potência. Se se tratar de uma garagem sem electricidade ou num prédio onde o consumo é comum é necessário ter em conta o valor a pagar pela potência contratada.

Consumos a gasolina

Ora mais de 1700kg num 1.4 a gasolina, os consumos vão ser elevados certo? Bem, depende do pé. Na viagem da Holanda para Portugal com velocidades constantes a 140km/h e algumas brincadeiras para testar o limite do carro, aliado a temperaturas perto dos 0º e trânsito caótico para entrar e sair de Paris por causa da neve e da hora de ponta consegui uns fantásticos 7l/100km sempre a gasolina. Para mim fantásticos porque nas mesmas condições o C6 fazia 8.

Já por Portugal e conhecendo o modo de funcionamento do carro os consumos são mais simpáticos e em auto-estrada onde o motor está sempre a funcionar é fácil obter médias de 5.5 l/100km. Este valor apenas a gasolina, já que o carro faz a média em conjunto com os quilómetros em modo eléctrico, daí na primeira foto aparecer uma média de 3.6l/100km. Em cidade com a recuperação de energia e a utilização da bateria a baixas velocidades esse valor é ainda mais baixo.

Conforto e insonorização

O meu maior medo antes de comprar o Ampera era a sua insonorização. Tinha um carro que foi concebido para ser silencioso, com vidros laminados, material insonorizante e por cima ainda tinha aplicado Dynamat. Infelizmente pouca gente fala sobre isto, é certo que o carro é silencioso em termos de ruído de motor, mas ruído de rolamento e vento nada. Um vídeo do Chris Harris compara-o em cidade a ser tão silencioso como um Rolls-Royce e um teste que procurava o carro mais silencioso do mercado colocou-o num respeitável 5º lugar.

Após test-drive a um fiquei convencido, o carro é confortável e silencioso. Quase tão silencioso como o C6 que já tinha levado Dynamat, conforme pude medir, apenas o ruído de rolamento é mais presente e do vento em auto-estrada porque os vidros não ajudam. Mas existiu um grande cuidado em tornar este carro silencioso sem adicionar muito peso.

Veredicto

Como carro único o Ampera é o ideal para mim que me permite circular em modo 100% eléctrico durante a semana e em alguns fins-de-semana. Posso continuar a fazer uma utilização normal e despreocupada do carro com viagens grandes por ter o gerador a gasolina, sem estar dependente da infra-estrutura pública de carregamento.

Em cidade é fantástico, o silencio a bordo e ausência de vibrações fazem-me pensar numa expressão que era muito comum nos tempos do auge do car audio que um carro era o pior sitio para ouvir musica. Já não o é, de certeza.

A performance é aceitável e o carro é divertido de conduzir, apenas não faz barulho em aceleração de um bom motor a gasolina que às vezes sinto falta, mas ouve-se o barulho do motor eléctrico e até é agradável. É um carro sem compromissos, com um custo de utilização estupidamente baixo, melhor só um 100% eléctrico.

Tem-se revelado bastante fiável, mas não é o carro perfeito. Sinto falta dos espelhos exteriores electrocromáticos, dos bancos eléctricos e da fantástica suspensão do C6. O carro não tem chapeleira, apenas um pano com elásticos para tapar a área de carga, mas já comprei uma chapeleira para resolver isso. E a iluminação deixa muito a desejar, não só optaram por colocar lâmpadas de halogéneo mas o próprio farol não é nada eficiente e em estradas nacionais de noite a iluminação é fraca. Isso ou fiquei mal habituado ao C6 e aos seus faróis direccionais.

Os custos então são demais, nalguns meses chego a colocar no máximo 10€ de gasolina. Tendo em conta que nestes últimos meses as subidas têm sido constantes, ajudou-me bastante a reduzir a minha factura mensal no combustível.

Sinceramente não me vejo a voltar atrás e a comprar um carro apenas a gasolina para o dia a dia, só se for mesmo algo especial. Mas lá está, como já escrevi aqui anteriormente, não é a solução para todos, e sem lugar privado para carregar é para esquecer.

Comentários a “Como é conduzir um Opel Ampera? Análise após 10.000km”

mike comentou:
16/06/2018 10:38

Bom dia, é de facto muito detalhada a sua revisão do Ampera, a minha pergunta é se é possível carregar na garagem com tomada “normal” e potencia baixa? O custo de IUC e seguro qual será para um Ampera?
obg. e continuação , cump., Mike C.

Eduardo comentou:
16/06/2018 13:55

Mike sim, eu carrego-o a maioria das vezes na garagem numa tomada normal, de 16A. O carregador que vem com o Ampera apenas permite carregar a 6A ou 10A, mas existem carregadores que pode comprar que fazem os 16A.

O próprio carro não carrega a mais de 16A.

O IUC do meu, de 2012, é de 134.98€. O seguro depende se é de terceiros ou danos próprios, o melhor é simular. Pode ver o artigo sobre importar um Ampera que tem lá mais valores indicados.

Amorim comentou:
28/06/2018 12:00

Eduardo,

Fiquei só com uma duvida relativamente ao “custo”. Considerou o aluguer do contador? Ou é o mesmo da casa?
Isto porque numa garagem de um prédio é necessário pedir um contador exclusivo para a viatura.
Obrigado.

Eduardo comentou:
30/06/2018 14:42

Amorim realmente nem me lembrei desse detalhe.

O valor que coloquei é apenas o do preço do consumo de electricidade porque no meu caso o contador é o mesmo da casa. Nem pedi aumento de potência porque já tinha 4,6 kVA / 20A que é mais que suficiente para ter uma máquina ligada e o carro a carregar a 10A.

Já actualizei o texto para adicionar essa ressalva.

Bruno comentou:
07/07/2018 11:27

Olá,
Bom artigo este. Tenho uma questão, quanto tempo demora a carregar para se fazer esses 60 quilómetros em cidade?

Obrigado,
Bruno

Eduardo comentou:
08/07/2018 20:36

Bruno para carregar dos 0 aos 100% a 10A que é a potência máxima do carregador que vem com o carro demora aproximadamente 5h 30min.

Se tiver um carregador a 16A demora 3h 30min.

João Barbosa comentou:
14/10/2018 21:00

No meu opel ampera, gastei em 10.000kms, apenas 83l de gasolina.. a minha média é de 0,8l/100.

É o carro indicado ao meu estilo de condução, em que já consegui chegar do Porto a Ponte de Lima, com uma única carga, sem tocar na gasolina.

Espero que continue os abastecimentos gratuitos na rua, pois tenho andado praticamente de graça.

Eduardo comentou:
18/10/2018 23:46

João Barbosa muito boa média. Eu vou com 23.000+ km desde que o tenho e já gastei 600 litros, média de 2.6. Está quase a fazer 1 ano.

A viagem da Holanda foi toda a gasolina, excepto os primeiros 50km em eléctrico com temperaturas perto do zero. Já por cá tenho feito algumas viagens maiores e infelizmente bato muitas vezes com o nariz na porta com carregadores fora de serviço e gasto mais gasolina. Pode ser que agora com os PCR pagos a coisa mude, que já vi alguns PCN também a serem reparados.

Ainda assim, nem a GPL tinha custos tão baixos em combustível como tenho agora.

Os carregamentos nos PCN vão continuar gratuitos ao que parece por mais 1 ano.

Vítor comentou:
02/11/2018 15:41

Boa tarde, agradeço muito a partilha de informação já que também me foi muito útil para recentemente ter ido buscar um para mim à Holanda. O mercado lá é um pouco volátil, bons negócios tão rápido aparecem como desaparecem.
Estou muito contente com o carro mas a solução do pano para cobrir a bagageira não me entra. Pode-me indicar a solução que encontrou para colocar uma chapeleira que corresponda a esta bela máquina?

Eduardo comentou:
02/11/2018 18:40

Vitor mandei vir dos estados unidos a Volt Shelf. Ficou mais prático o acesso à bagageira, a instalação não é a mais simples porque é preciso alguns ajustes para ficar alinhada.

Pode dar uma vista de olhos em Reducing noise with the VoltShelf para ver umas fotos da chapeleira.

Tiago comentou:
27/11/2018 09:52

Olá bom dia Eduardo
para o percurso Lisboa – Palmela (+/-40Km autoestrada) consegue estimar-me se precisaria de reverter para gasolina caso a velocidade se mantenha entre os 100 e os 120Km/h?
obrigado

Eduardo comentou:
28/11/2018 22:36

Tiago a autonomia do carro é suficiente para esses 40km.

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